AMAZONASELEIÇÕES 2026

Shádia leva projeto de David às comunidades da calha do Amazonas

Candidata a vice-governadora ouve ribeirinhos e defende soluções para saúde, infraestrutura e geração de renda.

A campanha de Dra. Shádia (Avante) ao Governo do Amazonas chegou às comunidades ribeirinhas de Manaus com uma estratégia que ela pretende transformar em marca de sua participação na chapa de David Almeida: ouvir quem vive os problemas antes de apresentar as soluções.

Na sexta-feira (21/8), a candidata a vice-governadora percorreu as comunidades Jatuarana, União e Progresso e o Assentamento Nossa Senhora de Nazaré, na calha do rio Amazonas. A agenda colocou frente a frente a ex-secretária municipal de Saúde e moradores que convivem com desafios que ganham outra dimensão quando a cidade termina e os rios passam a determinar distâncias, acesso aos serviços públicos e oportunidades de geração de renda.

Saúde, educação, segurança, infraestrutura e apoio à produção apareceram entre as principais demandas apresentadas pelos comunitários. Mas, mais do que reunir reivindicações, Shádia procurou defender um princípio: políticas destinadas às populações ribeirinhas não podem simplesmente reproduzir modelos pensados para a área urbana.

Realidade ribeirinha

Foi essa mensagem que a candidata levou à comunidade Jatuarana, localizada na margem esquerda do rio Amazonas, a cerca de 40 quilômetros de Manaus.

“Tudo que precisamos falar aqui, e tudo que eu tenho que ouvir, é a realidade. E temos que lutar para fazer. Se não dá para fazer de uma forma, eu vou chegar e dizer: ‘Está muito difícil. Vamos, juntos com a comunidade, pensar em outra forma, porque dessa não vai dar’. Tem que jogar aberto”, afirmou.

A fala encontrou eco no relato da líder comunitária Maria José Amaral. Ao tratar das dificuldades enfrentadas na área da saúde, ela lembrou que procedimentos e conhecimentos aplicados normalmente nos centros urbanos precisam, muitas vezes, ser adaptados às condições encontradas às margens dos rios.

“A realidade daqui é muito diferente. Lá está certo, a gente aprende sobre tudo, como sinais vitais, que isso é necessário numa área de saúde. Mas a nossa realidade aqui é outra. Totalmente diferente”, relatou.

A questão expõe um dos desafios históricos para qualquer governo no Amazonas: fazer o serviço público alcançar populações dispersas em um território onde deslocamento, logística e sazonalidade dos rios interferem diretamente na execução das políticas públicas.

Ação conjunta

No Assentamento Nossa Senhora de Nazaré, o líder comunitário Eurico Souza reforçou que as respostas para esses desafios dependem da aproximação entre governo e moradores.

Ele citou necessidades nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e segurança e defendeu que as próprias comunidades sejam incorporadas ao processo de construção das soluções.

“Tudo o que fazemos tem que ser em parceria. Educação, saúde… É uma parceria. E, somando o grupo, a gente vê que quanto mais conhecimento você adquire, melhor você pode transmitir para outras pessoas”, afirmou.

A passagem pelas comunidades também recuperou a presença de David Almeida na zona rural durante sua gestão na Prefeitura de Manaus. Moradores mencionaram a proximidade e o acesso ao então prefeito como aspectos da relação construída com as localidades.

Para Shádia, a proposta agora é transportar essa lógica de aproximação para a discussão sobre políticas estaduais, considerando as diferenças entre comunidades que, embora estejam dentro de Manaus, vivem uma realidade distante daquela encontrada no perímetro urbano.

Renda nos rios

Na comunidade União e Progresso, a agenda ganhou um componente econômico. O local reúne 46 famílias em torno da produção de pé de moleque e alcança aproximadamente 27 mil unidades por mês, segundo informações divulgadas pela campanha. Parte da produção é levada para comercialização em Manaus.

A atividade mostra que as comunidades ribeirinhas não podem ser vistas apenas pela ótica das carências. Elas também abrigam cadeias produtivas capazes de gerar trabalho, renda e circulação econômica, mas que enfrentam dificuldades de logística, acesso ao mercado e estrutura para crescer.

Shádia defendeu que políticas públicas reconheçam esse potencial e deem condições para que quem já produz possa ampliar os negócios.

A visita às três comunidades acabou funcionando, assim, como uma espécie de laboratório da proposta que a candidata tenta apresentar ao eleitor ribeirinho: menos soluções concebidas à distância e mais participação de quem conhece, na prática, as limitações e as possibilidades de cada território.

Em um estado onde rios definem caminhos, distâncias e modos de vida, a aposta política de Shádia é fazer da escuta o ponto de partida para transformar demandas locais em políticas públicas.

Fotos: Antônio Pereira

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