Movimento indígena celebra eleição de duas candidatas à Câmara Federal

Estados de São Paulo e Minas Gerais elegeram Sônia Guajajara e Célia Xakriabá como representantes do levante dos povos originários no País

A eleição de duas candidatas indígenas à Câmara Federal é considerada um novo momento da política nacional com maior representatividade de povos tradicionais para a cultura de formulação das políticas que ditam os rumos do País.

Em votação considerada histórica, os estados de São Paulo e Minas Gerais elegeram Sônia Guajajara e Célia Xakriabá como representantes do levante dos povos originários no País.

Esse número representa um crescimento de 100% em relação à última eleição proporcional, em 2018, quando a deputada federal Joênia Wapichana foi a primeira mulher indígena eleita ao Congresso Nacional.

A participação de mulheres candidatas indígenas nas eleições 2022 levou ao crescimento de postulantes a um cargo eletivo desde 2014 de 189%, passando de 29 para 84 candidaturas. O crescimento dos candidatos homens nesse período foi de 78,5%.

Esse processo é resultado do movimento denominado Aldear a Política, cujo objetivo é garantir um projeto de vida, voltado à biodiversidade e à defesa dos direitos humanos.

“É uma articulação por uma reparação histórica que vem para romper com o avanço do projeto genocida e de privilégio de lucros e exploração da natureza em detrimento da vida”, afirma o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Kleber Karipuna,

A pressão promovida pelo movimento indígena este ano foi fundamental para frear o avanço do Projeto de Lei 191/20, sobre a mineração em Terras Indígenas, cujo regime de urgência foi aprovado pelo plenário da Câmara no mês de março, a partir de uma manobra que partiu do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), passando com 279 votos a favor.

Nos últimos dez anos, entre 2012 e 2022, o percentual de leis aprovadas pelo Executivo caiu de 56,5% para 29%, enquanto as proposições com origem no Congresso Nacional aumentaram 70,9%, segundo levantamento da Action Relações Governamentais.

Até este ano, apenas dois candidatos indígenas foram eleitos nos dois últimos pleitos proporcionais: em 2014, José Carlos Nunes da Silva, o Nunes (PT-ES), foi eleito deputado estadual no Espírito Santo, o único candidato indígena a assumir um cargo legislativo em todo o Brasil. Já em 2018, Joênia Wapichana (Rede-RR) entrou para a história como a primeira indígena a ocupar uma cadeira na Câmara Federal.

Wapichana foi a responsável por articular a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, com 237 parlamentares, da qual se tornou coordenadora. A frente, criada em 2019, vem representando o principal contraponto às ações da Frente Parlamentar da Agropecuária, criada em 1995 e composta de 280
parlamentares.

*Com informações do Cimi e Articulação dos Povos Indígenas

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