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Mauro Campbell chega vice-presidência do STJ

Amazonense passa a ocupar um dos principais postos do Judiciário brasileiro após dois anos à frente da Corregedoria Nacional de Justiça

O ministro amazonense Mauro Campbell Marques assumiu a vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quarta-feira (19), ampliando uma trajetória construída no Amazonas e que, ao longo das últimas décadas, alcançou algumas das posições mais relevantes do sistema de Justiça brasileiro.

Campbell integra a nova direção do STJ para o biênio 2026-2028. A presidência da Corte passou a ser exercida pelo ministro Luis Felipe Salomão. Os dois haviam sido eleitos por unanimidade pelo Pleno do tribunal em abril.

Para o Amazonas, a chegada de Campbell à vice-presidência carrega um significado particular. Natural de Manaus, o ministro construiu parte decisiva de sua carreira no Ministério Público do Amazonas (MPAM), instituição que chegou a comandar por três mandatos, antes de ingressar no STJ.

Da Amazônia

Antes de Brasília se tornar o centro de sua atuação institucional, Mauro Campbell percorreu uma longa trajetória no sistema de Justiça amazonense.

Atuou como promotor e procurador de Justiça e exerceu funções no Executivo estadual, entre elas as de secretário de Justiça e de Segurança Pública do Amazonas. Em 2008, chegou ao Superior Tribunal de Justiça, onde tomou posse no mesmo dia que Luis Felipe Salomão — justamente o ministro ao lado de quem agora passa a comandar administrativamente a Corte.

No STJ, Campbell integrou a Segunda Turma e a Primeira Seção, colegiados especializados em direito público. Também foi membro titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corregedor-geral da Justiça Federal e diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).

Sua atuação também alcançou debates legislativos. O ministro presidiu comissão do Senado dedicada à elaboração de propostas para a desburocratização da administração pública e comandou o grupo responsável pelo anteprojeto de reforma da Lei de Improbidade Administrativa.

Nova etapa

Campbell chega à vice-presidência depois de dois anos à frente da Corregedoria Nacional de Justiça, órgão ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento da atuação administrativa e funcional do Judiciário.

Na despedida da função, nesta semana, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) destacou que a gestão realizou 27 inspeções em tribunais do país durante os dois anos de mandato. A entidade também ressaltou iniciativas voltadas à construção de critérios nacionais, à transparência e à aproximação com magistrados e servidores.

A transição entre as duas funções ocorre em um momento no qual Campbell tem defendido maior integração entre os diferentes segmentos da Justiça.

Dias antes da posse, durante o XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), realizado em Manaus, o então corregedor nacional defendeu que mudanças estruturais no Judiciário dependem da participação dos tribunais de diferentes regiões do país.

A passagem por Manaus, às vésperas de assumir o novo posto, reforçou simbolicamente uma característica de sua trajetória: embora ocupe há anos funções nacionais em Brasília, Campbell mantém no Amazonas a origem de uma carreira que começou longe dos centros onde tradicionalmente se concentra o poder institucional brasileiro.

Cúpula do STJ

A vice-presidência coloca o ministro amazonense no núcleo de comando do tribunal responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal no país.

Campbell trabalhará ao lado de Luis Felipe Salomão, que assumiu a presidência sucedendo Herman Benjamin. A eleição dos dois ocorreu por unanimidade e, segundo o próprio STJ, foi interpretada internamente como demonstração de unidade da Corte.

Ao ser eleito, Campbell afirmou que estaria à disposição de Salomão para auxiliar na condução do tribunal durante os dois anos de gestão. Na ocasião, também destacou valores como conciliação e harmonia institucional.

A posse, portanto, representa mais do que uma nova função no currículo do magistrado. Para Mauro Campbell, é a continuidade de uma trajetória que saiu do Ministério Público do Amazonas, atravessou diferentes instâncias do sistema de Justiça e agora o coloca na vice-presidência de uma das cortes superiores do país.

Para o Amazonas, é também a presença de um nome formado institucionalmente no estado em uma posição central nas decisões administrativas e jurídicas do Judiciário brasileiro.

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