Omar e Maria abrem segundo turno de olho nos votos de Cidade e David
Primeiras entrevistas após as urnas mostram candidatos em movimento para ampliar alianças e conquistar o eleitorado que ficou sem representante na disputa pelo Governo
Menos de 24 horas depois da definição do segundo turno para o Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL) já começaram a reposicionar seus discursos. As primeiras entrevistas após as urnas indicam uma nova fase da campanha, marcada pela busca de apoios e pela tentativa de atrair eleitores que votaram em Roberto Cidade e David Almeida no primeiro turno.
Omar terminou a primeira rodada com 841.846 votos, o equivalente a 40,63% dos válidos. Maria do Carmo recebeu 507.335 votos, ou 24,49%. Roberto Cidade alcançou 21,91% e David Almeida, 10,54%. Juntos, os dois candidatos que ficaram fora do segundo turno concentraram 32,45% dos votos válidos — uma fatia que passa a ocupar posição central nas estratégias das duas campanhas.
Omar acena a adversários
Em entrevista à Rádio Difusora FM, transmitida também pela BandNews FM, nesta segunda-feira (5), Omar afirmou estar disposto a ouvir e incorporar propostas apresentadas por candidatos que disputaram o primeiro turno.
Entre os exemplos citados estão projetos voltados a idosos, jovens e pessoas com dependência química. Segundo ele, ideias consideradas positivas podem ser aproveitadas independentemente de quem as tenha apresentado durante a campanha.
A sinalização também abre espaço para aproximações com grupos políticos que ficaram fora da segunda rodada, enquanto Omar tenta ampliar a base construída no primeiro turno para a votação de 25 de outubro.
O candidato disputa o Governo pela coligação Força Amazonas, formada por Republicanos, MDB, PSD e Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV. A candidata a vice é Alessandra Campelo.
Maria condiciona alianças
Maria do Carmo também deixou aberta a possibilidade de novos entendimentos políticos, mas estabeleceu critérios para eventuais aproximações.
Após o primeiro turno, a candidata do PL afirmou que alianças deverão respeitar uma identidade de “valores e princípios”. Também voltou a criticar o que classificou como uso de estruturas públicas durante a campanha e disse ter enfrentado uma disputa desigual.
O desafio agora é ampliar sua base de apoio sem se afastar do discurso adotado na primeira fase da eleição.
Maria concorre pela coligação Mudar é Urgente, formada por PL e Novo, tendo o coronel Aníbal como candidato a vice.
Cidade e David no centro da disputa
A matemática eleitoral explica por que Roberto Cidade e David Almeida passaram rapidamente ao centro das articulações.
Cidade terminou o primeiro turno com 453.896 votos, enquanto David recebeu 218.490. Somados, representam 672.386 votos — número superior à diferença entre Omar e Maria na primeira votação.
Isso não significa, porém, transferência automática de votos em caso de eventual apoio político. O eleitor pode mudar de posição, optar pelo voto branco ou nulo ou mesmo não comparecer às urnas. Ainda assim, esse contingente representa a maior parcela do eleitorado disponível fora das bases já conquistadas pelos dois finalistas.
Por isso, mais do que anúncios formais de alianças, a campanha deverá se concentrar na tentativa de falar diretamente com esses eleitores.
Disputa nacional entra no cenário
A nova etapa também aproxima a eleição estadual da disputa presidencial.
Omar é aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto Maria do Carmo está vinculada ao campo político de Flávio Bolsonaro (PL). Como os dois candidatos à Presidência também avançaram ao segundo turno, as duas disputas passam a ocorrer de forma paralela no Amazonas.
Ainda assim, os temas locais continuam centrais. Saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, interiorização das políticas públicas e relação com os municípios devem permanecer entre os principais assuntos da campanha estadual.
Nova campanha começa
O primeiro turno terminou, mas a eleição entra agora em uma nova configuração.
Omar parte para a segunda etapa com a maior votação da primeira rodada, enquanto Maria busca ampliar significativamente sua base. As primeiras declarações de ambos mostram que parte importante dessa disputa será travada entre eleitores que não escolheram nenhum dos dois no domingo.
Até 25 de outubro, a corrida pelo Governo do Amazonas deverá combinar articulações políticas, disputa por apoios e esforço direto de convencimento junto ao eleitorado de Cidade, David e dos demais candidatos que ficaram fora do segundo turno.
A pergunta que passa a acompanhar a campanha é simples: para onde irão esses votos?


