Renato cobre parcela do Estado e evita nova greve em Manaus
Sindicato suspendeu paralisação de 70% da frota após prefeito assumir pagamento que, segundo Givancir Oliveira, caberia ao Governo do Amazonas.
O prefeito de Manaus, Renato Junior, voltou a entrar diretamente na crise financeira do transporte coletivo e evitou, nesta quinta-feira (20), uma nova greve dos rodoviários. Segundo o presidente do sindicato da categoria, Givancir Oliveira, a Prefeitura assumiu o compromisso de pagar uma parcela que seria de responsabilidade do Governo do Amazonas.
A paralisação estava prevista para começar entre 10h e 11h e poderia retirar 70% dos ônibus das ruas. Pela manhã, o sindicato afirmava que a categoria cruzaria os braços caso o pagamento previsto para os trabalhadores não fosse realizado. Pouco depois, por volta das 8h30, o movimento foi cancelado e que a frota permaneceu em circulação normal. Em entrevista ao programa Valdir Corrêa, da FM do Povo, Givancir afirmou que a Prefeitura se comprometeu a realizar o pagamento da parcela atribuída ao Executivo estadual.
Prefeitura assume
Segundo o relato de Givancir, o compromisso assumido pelo município permitiu retirar a greve de pauta e evitar a interrupção do transporte coletivo nesta quinta-feira.
A informação ganha peso político porque não é a primeira vez, neste mês, que Renato entra na negociação para impedir uma paralisação.
No dia 5 de agosto, outra greve prevista para começar na madrugada seguinte foi suspensa depois que a Prefeitura garantiu um repasse de R$ 32 milhões ao sistema. Na ocasião, Givancir afirmou que Renato havia feito um esforço para pagar tanto a parcela municipal quanto a atribuída ao Estado.
Com o novo episódio, a crise do transporte deixa de ser apenas uma disputa trabalhista entre rodoviários e empresas e avança sobre o confronto institucional entre Prefeitura e Governo.
Passe livre
No centro do impasse está o financiamento do Passe Livre Estudantil dos alunos da rede estadual.
A Prefeitura sustenta que o Estado deixou de cumprir integralmente os repasses necessários para custear as viagens desses estudantes. Em julho, Renato informou que o município havia destinado cerca de R$ 284 milhões ao transporte coletivo em 2026 e apontou uma pendência estadual de aproximadamente R$ 44 milhões naquele momento. O prefeito anunciou que levaria a cobrança à Justiça.
O Governo do Amazonas contesta essa interpretação.
Em julho, a gestão Roberto Cidade depositou R$ 18 milhões ao Sinetram, correspondentes, segundo o Estado, às parcelas de fevereiro a julho. O Executivo estadual argumentou que estava cumprindo decisão judicial que estabelecia como referência R$ 2,50 por passagem de estudante e considerou quitada a obrigação daquele período.
A divergência, portanto, não envolve apenas a existência de pagamentos, mas principalmente o valor que deve ser pago pelo Estado.
Enquanto o Governo defende o cálculo baseado na meia-passagem determinada judicialmente, as empresas sustentam que o custo deve considerar a tarifa técnica do sistema. Essa diferença está no centro da disputa financeira que atravessa o transporte coletivo.
Crise recorrente
O impacto dessa disputa já chegou mais de uma vez aos passageiros.
Em julho, Manaus enfrentou uma greve dos rodoviários provocada pelo atraso salarial. Naquele episódio, o Governo do Amazonas transferiu R$ 18 milhões ao Sinetram e Renato cobrou que as empresas utilizassem os recursos para pagar imediatamente os trabalhadores.
No início de agosto, uma nova paralisação foi evitada com o compromisso municipal de R$ 32 milhões. Agora, menos de três semanas depois, outra ameaça de greve termina novamente com a intervenção financeira da Prefeitura.
A sequência expõe a fragilidade de um sistema que depende de aportes públicos para manter a tarifa ao passageiro e cumprir compromissos com trabalhadores e empresas.
Pressão continua
A suspensão da paralisação resolve o problema imediato, mas não encerra a crise.
O próprio sindicato já havia advertido, após a greve de julho, que novos atrasos poderiam resultar em novas paralisações. A ameaça voltou a se materializar em agosto, primeiro no dia 6 e novamente nesta quinta-feira.
Além dos salários dos rodoviários, permanece a discussão sobre o financiamento da gratuidade dos estudantes estaduais e sobre qual ente público deverá absorver a diferença entre os valores defendidos pelas partes.
Nesta quinta, a intervenção da Prefeitura evitou que a disputa chegasse novamente às paradas de ônibus. Politicamente, porém, a conta do transporte coletivo continua aberta — e cada novo vencimento transforma uma discussão financeira em mais um capítulo do confronto entre o prefeito de Manaus e o governador do Amazonas.


