Secretaria de Educação do Amazonas e Unicef debatem sobre trajetória escolar indígena

A iniciativa é fruto de parceria entre a Secretaria de Educação e a Unicef e chegou a alcançar mais de 16 povos tradicionais

Com o foco em estratégias para enfrentar a cultura do fracasso escolar, a distorção da série-idade e o abandono escolar, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto em parceria com Unicef e o Ministério Público Federal (MPF) realizou, hoje (08/11), o I Seminário de Resultados da Trajetória Escolar – Povos Indígenas, evento que busca apresentar as ações do projeto Trajetórias de Sucesso Escolar a serem desenvolvidas nas comunidades alcançadas pela iniciativa.

No Amazonas, o projeto durou cerca de seis meses e esteve presente em 16 escolas indígenas em oito comunidades. No início do encontro foi prestada uma homenagem a Alcilei Vale Neto, gerente da Educação Escolar Indígena, falecido em agosto deste ano, que acompanhou o desenvolvimento do projeto nas escolas.

A secretária executiva adjunta Pedagógica, Hellen Matute, falou sobre a importância de estabelecer metas, a partir das escutas realizadas na atividade. “É de fundamental importância que encontros como este aconteçam, pois é com base nesses resultados que vamos possibilitar uma educação mais inclusiva, com base nas especificidades vividas nas nossas escolas e comunidades indígenas”, frisa a secretária.

O gerente da Educação Escolar Indígena, Andrezinho Fernandes, afirma que a parceria com a Unicef permite que ocorra um mapeamento da educação escolar oferecida aos povos indígenas no Estado.

“O Amazonas possui a maior população indígena do Brasil, com cerca de 66 povos concentrados no Estado, por isso, é de extrema importância que seja criado a partir da vivência deste I Seminário de Resultados da Trajetória Escolar – Povos Indígenas, um projeto, um documento que vai nortear a educação indígena na Secretaria de Educação”, explicou o gerente.

Etapas

Na prática, a estratégia para o “Trajetórias de Sucesso Escolar envolveu quatro etapas: o diagnóstico, que trata sobre a identificação dos dados sobre atraso escolar; o planejamento, que desenvolve um plano de ação e de proposta pedagógica flexível e adaptada para alcançar os estudantes; o desenvolvimento, que se concentra no acompanhamento e avaliação da proposta; e, por fim, a adesão, que tem o foco no engajamento das escolas, parceiros e estudantes.

O consultor da Unicef, Paulo Roberto Ferreira, pontuou que o órgão propõe metodologias participativas, flexíveis e adaptadas à participação de estudantes e comunidade escolar. “Com essa estratégia, nós passamos a ter uma compreensão mais integral dos povos indígenas e, assim, temos a base para apresentar esses resultados que vão influenciar diretamente nas estratégias de Trajetórias de Sucesso Escolar”, concluiu.

Diagnóstico

O projeto Trajetórias de Sucesso Escolar é uma iniciativa que facilita um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série no país – quando um estudante está com dois ou mais anos de atraso escolar –, e oferece um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso, permanência e aprendizagem desses estudantes.

Além das taxas de distorção e índices de abandono e reprovação, o site disponibiliza recortes por gênero, raça e localidade que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras

Fotos: Carlos Eduardo / Seduc

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