Entre Cabocos estreia single e transforma palco em manifesto da Amazônia urbana
Grupo formado por quatro músicos consagrados da cena amazonense lança “Destinatário” em show inédito no Teatro da Instalação no dia 21 de junho
O que significa ser caboco na Amazônia de hoje? A resposta pode estar em uma nova canção. Ou melhor, em um encontro de vozes, histórias e trajetórias que decidiram transformar a experiência amazônica contemporânea em música.
No próximo dia 21 de junho, às 19h, o Teatro da Instalação recebe o show de lançamento de “Destinatário”, primeiro single do grupo Entre Cabocos. Mais do que apresentar uma música inédita, o espetáculo marca a estreia oficial de um projeto que busca retratar a identidade do caboco urbano — aquele que vive entre a memória dos rios e a correria da cidade, entre os costumes herdados dos ancestrais e os desafios da vida moderna.
Formado em Manaus em 2021, o Entre Cabocos reúne quatro artistas com trajetórias consolidadas na música amazonense, mas que decidiram criar juntos uma sonoridade inédita, construída a partir de experiências pessoais, vivências coletivas e reflexões sobre o cotidiano amazônico.
Identidade sonora
Ao contrário da representação folclórica frequentemente associada ao caboclo amazônico, o grupo propõe um olhar contemporâneo sobre essa identidade.
O caboco retratado em suas canções não é personagem de cartão-postal. É quem pega ônibus, frequenta feiras, trabalha na cidade, cria os filhos em bairros urbanos e, ainda assim, preserva referências culturais que atravessam gerações.
Segundo o poeta, compositor e músico Magaiver Santos, um dos integrantes do projeto, a proposta do grupo é justamente traduzir essas experiências em música.
“A música do grupo fala do cotidiano, das reflexões e dos cenários de vida de cada um, levando tudo isso para um repertório onde cada integrante expressa um conjunto de ideias que se encontra numa só sonoridade”, explica.
Com uma trajetória iniciada ainda na adolescência, Magaiver integrou bandas como Ecos Etílicos e Tribo Zagaia antes de fundar a Casa de Caba, projeto que acumula três álbuns lançados. Em 2025, apresentou também o trabalho solo Silenciosa Orquestra do Menino Pássaro.
Quatro trajetórias
O cantor e compositor Moham Enrique destaca que o Entre Cabocos nasce da soma de experiências individuais já conhecidas pelo público da região Norte.
Natural de Porto Trombetas, no Pará, mas radicado em Manaus desde a infância, Moham acredita que o projeto apresenta uma nova perspectiva artística para os integrantes.
“Quem acompanha a música feita no Amazonas certamente conhece as trajetórias individuais dos quatro integrantes. Mas esse projeto é diferente de tudo que já apresentamos em nossas carreiras. A expectativa é entregar algo único, sensível e muito nosso”, afirma.
Outro integrante é Eduardo Du Norte, artista com mais de 16 anos de carreira e três álbuns lançados — Vida de Artista, Algo Mais e Canto de Rio. Atualmente, ele também desenvolve o projeto Tambores Encantados, ao lado dos mestres Flávio Gama e Antônia Conceição.
Completando a formação está João Carlos Ribeiro, conhecido artisticamente como Jotacê. Baterista manauara, descendente de uma tradicional família de percussionistas de Parintins, ele carrega no currículo experiências que dialogam diretamente com a riqueza rítmica da Amazônia.
No palco
Com duração prevista de uma hora e meia, o espetáculo contará com participações especiais de Vivian di Oliveira, Diogo Navia, Marcelo Nakamura e Victor Liotto.
A produção reúne ainda nomes reconhecidos da cena cultural amazonense. A identidade visual é assinada por Erika Lima, a cenografia por Afrânio Pires e a produção artística por Chris Nascimento.
Os ingressos são limitados e custam R$ 40 para plateia e R$ 30 para mezanino, com meia-entrada para estudantes. As entradas podem ser adquiridas nas lojas Bibi Cell ou pelo site oficial de vendas.
Mais do que lançar uma música, o Entre Cabocos sobe ao palco para apresentar uma narrativa coletiva sobre a Amazônia contemporânea — uma Amazônia que continua caboca, mesmo cercada por concreto, trânsito e prédios.


