ECONOMIA BRASILEIRA VOLTA A CRESCER, SUPERADA A PANDEMIA DO COVID-19

Osíris M. Araújo da Silva  (*)

O Brasil viverá, no próximo domingo, 2, mais uma eleição presidencial, cujo resultado norteará o rumo político do país. Se permanece a linha desenvolvimentista atual, ou se retorna ao populismo das esquerdas que tantos prejuízos causaram à nação em passado recente. O quadro conjuntural de hoje, comparativamente, não guarda semelhanças com o período de governo Dilma Rousseff (2011-16), considerado, por nota editorial da Folha de São Paulo (de 04/05/2016), como “o pior da República, talvez o pior da história”.  A herança maldita herdada pelo vice Michel Temer, ao assumir a presidência em 31de agosto de 2016 (pós-impeachment).

Segundo a Folha, “a desculpa agora é a oposição, que não teria compactuado com as propostas de ajuste das contas públicas”, eufemismo para aumento de impostos, em particular a CPMF. Para Dilma, “os opositores são responsáveis pela economia brasileira está passando por uma grande crise”. Dilma jamais reconheceu “o aumento dos gastos observados sob seu governo, muito menos sobre seu papel no extermínio, em 2005, da proposta de ajuste fiscal de longo prazo, fulminada por ela como se fosse uma ‘proposta rudimentar’, sob o tosco argumento de que “gasto corrente é vida”.

A Folha também relata o aumento do volume de crédito do BNDES em R$ 212 bilhões (a preços de 2016) entre 2010 e 2014, valor integralmente financiado por créditos do Tesouro Nacional, que se endividou no mesmo montante para beneficiar um punhado de setores e empresas selecionadas por critérios muito pouco transparentes”. A oposição, segundo a nota, “não parece ter sido ouvida quando o governo decidiu segurar artificialmente os preços dos combustíveis, levando não apenas a Petrobras a uma situação delicada do ponto de vista de seu endividamento (limitando assim sua capacidade de investimento) como também, de quebra, desarticulando o setor sucroalcooleiro”.

Enquanto isso, a despeito da maior recessão econômica da história brasileira (2014 a 2016), de dois anos da pandemia do covid-19 e da guerra Rússia x Ucrânia, nestes últimos três anos e meio o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reagiu e voltou a crescer. De acordo com o IBGE, à taxa de 1,2% no segundo trimestre em comparação ao primeiro deste ano. A quarta alta consecutiva, ressalte-se. Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, o crescimento foi de 3,2%, com o PIB se mantendo positivo por seis trimestres seguidos. A expansão acumulada em quatro trimestres é de 2,6%. Para o Ministério da Economia (ME), o crescimento econômico deverá fechar o ano em 2,4%. Por seu turno, a expectativa da taxa de inflação (IPCA/Amplo) em 2022 recuou de 7,2% para 6,3%, “basicamente devido à diminuição dos preços dos itens monitorados – como os combustíveis – e uma estabilização da inflação de serviços e de alimentos”.

O ME avalia que a performance da economia do novo Brasil é reflexo da melhora do mercado de trabalho, com a criação de novos empregos; do desempenho do setor de serviços, que manteve a tendência de crescimento desde o arrefecimento da pandemia; e da elevação da taxa de investimento, que subiu de 17,5% para 18,7% do PIB no segundo trimestre. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia espera que a atividade econômica continue em expansão no segundo semestre, posto que as primeiras estimativas para o período sugerem que indústria, agronegócio, serviços e mercado de trabalho seguem em alta.

O relatório mostra ainda que a taxa de desemprego é a menor desde 2015, com avanço da população ocupada nos diversos setores. Para a SPE, os dados do emprego formal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência corroboram a recuperação, com expansão de mais de 1,6 milhão de novos postos de trabalho com carteira assinada no acumulado até julho/2022. Mensalmente, foram criadas cerca de 220 mil vagas, em média, nos sete primeiros meses de 2022 e mais de 2,5 milhões de novas vagas formais no acumulado em 12 meses, até julho.

*Osíris M. Araújo Silva é economista, consultor empresarial e escritor. Membro do Inst. Geográfico e Hist. do Amazonas, do GEEA do INPA e do Corecon-AM

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