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Movimento Indígena do Amazonas promove encontro e marcha em defesa dos direitos coletivos

Sob o lema “Protagonismo e autonomia pelo Bem Viver dos povos indígenas”, mais de 440 indígenas participam nesta quinta-feira (31/03) da Marcha da Retomada Coletiva, na capital amazonense

Indígenas, lideranças e organizações representantes das 64 etnias do Amazonas promovem, nesta quinta-feira (31/03), a marcha de mobilização da Retomada Coletiva do Movimento Indígena do Amazonas a partir das 15h, com saída da Chácara Abraço Verde (Rua Barão de Indaiá, 215 – Flores – Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul) e chegada no Sambódromo, às 17h, como forma de marcar o grito dos povos originários em defesa dos direitos coletivos.

Sob o lema “Protagonismo e autonomia pelo Bem Viver dos povos indígenas”, mais de 440 indígenas discutiram conquistas e desafios do movimento durante dois dias de evento, em Manaus, a fim de unificar as propostas de políticas públicas que integrarão as reivindicações do Amazonas no Acampamento Terra Livre 2022 (ATL 2022), que acontecerá entre no período de 4 a 14 de abril em Brasília.

O Amazonas é o estado que concentra o maior número de etnias, em torno de 64, e um dos estados com maior população de pessoas autodeclaradas indígena: 168.680, de acordo com o Censo 2010 do IBGE.

Construção da união

Durante o primeiro dia, lideranças e representantes de organizações e associações indígenas lembraram a importância da retomada como instrumento de construção da união para o fortalecimento da luta e para a formação de jovens que continuem a defesa dos direitos indígenas. 

“Manaus também é território indígena: aqui se falam 36 línguas diferentes, temos 47 povos diferentes e isto vem sendo apagado e isto acontece também nos municípios do interior. Esta luta é pelo resgate da história que determina o futuro que vamos construir”, afirma Marcivana Sateré-Mawé, da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).

A representante do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), Mayara Batista, lembrou que os jovens que estudam na cidade devem se voltar para as comunidades, a fim de ajudar na construção de base para políticas públicas. “Para que assumamos o protagonismo e para que parem de falar por nós. Nós temos que fazer pesquisa, assumir o lugar nas universidades também”, defende.

 “A covid levou nossos anciãos. Precisamos nos reorganizar. O estado do Amazonas está sempre disperso e, de alguma forma, acabamos sendo cooptados pelo governo e isso não pode acontecer. Estamos hoje retomando essa conversa para dizer que temos sim projeto para nossos povos. Já pensou uma bancada parlamentar assim? De cocar e maracá? Temos capacidade sim”, ressalta a coordenadora da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn), Clarice Tukano.

A presidente do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia), Alva Rosa Tukano, lembrou que, somente com a unificação das lutas será possível combater o retrocesso em relação às conquistas dos direitos indígenas previstos na Constituição Federal há 33 anos.

“No âmbito do Amazonas, hoje só existe Conselho Estadual de Educação Indígena, Gerência Escolar de Educação Indígena por causa da luta, do movimento. Cargo é fruto de muita luta e isso vem sendo esquecido. Estamos retomando a nossa força de mobilização”, garante.

Sobre a Retomada Coletiva

O evento é uma realização das seguintes organizações: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime); Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn), Makira-Êta Rede de Mulheres Indigenas do Estado do Amazonas (Makira-Êta), Associação de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (Amism), Associação Kokama Indígena de Manaus (Akim), Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam) e Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia).

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