Lula vence em 57 municípios do Amazonas e amplia votação
Reeleito presidente, Lula conquista 54,02% dos votos no estado, cresce em Manaus e reverte a vantagem de Flávio Bolsonaro em três municípios no segundo turno
O mapa eleitoral do Amazonas mudou entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu das urnas no domingo (25) com 1.145.783 votos, equivalentes a 54,02% dos válidos, e ampliou sua presença no interior do estado. O presidente reeleito venceu em 57 dos 62 municípios amazonenses, incluindo três cidades onde havia perdido para Flávio Bolsonaro (PL) na primeira votação.
A diferença estadual foi de 170.538 votos. Flávio recebeu 975.245 votos, ou 45,98%, e manteve a liderança na capital, Manaus, maior colégio eleitoral do Amazonas. O resultado revela duas realidades distintas: a capital permaneceu majoritariamente favorável ao candidato do PL, enquanto o interior garantiu a maior parte da vantagem que assegurou a vitória de Lula no estado.
Mais do que confirmar o resultado nacional, a votação amazonense permite observar como o eleitorado se distribuiu entre municípios com características econômicas, sociais e territoriais bastante diferentes.
Lula ganha quase 100 mil votos entre os dois turnos
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula havia conquistado 1.046.996 votos, correspondentes a 48,23% dos válidos. Três semanas depois, alcançou 1.145.783, um crescimento de 98.787 votos.
O percentual avançou 5,79 pontos, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 45% para 45,98% dos votos válidos, embora tenha registrado uma pequena redução de 1.519 votos em números absolutos.
O crescimento de Lula não ficou restrito aos municípios onde já liderava. A comparação dos resultados mostra que o presidente ampliou sua participação também em localidades onde Flávio havia terminado o primeiro turno à frente.
Esse movimento alterou a distribuição geográfica da votação. Lula havia sido o mais votado em 54 municípios na primeira etapa e terminou o segundo turno com maioria em 57.
Três municípios mudaram de posição
As mudanças ocorreram em Japurá, Tapauá e Canutama, onde Lula conseguiu superar a vantagem anteriormente registrada pelo adversário.
Em Japurá, o presidente passou de 46,20% para 52,47% dos votos válidos. Em Tapauá, avançou de 45,78% para 50,72%.
A virada mais apertada ocorreu em Canutama. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado com apenas dois votos de vantagem. Na segunda votação, Lula alcançou 50,43%, contra 49,57% do candidato do PL.
Embora os resultados não permitam identificar individualmente como os eleitores mudaram seus votos, os números demonstram que a distribuição das preferências eleitorais se modificou entre os dois turnos.
Manaus mantém vantagem de Bolsonaro
Na capital amazonense, Flávio Bolsonaro venceu com 657.892 votos, equivalentes a 55,83% dos válidos. Lula recebeu 520.418 votos, ou 44,17%.
A diferença foi de 137.474 votos favoráveis ao candidato do PL.
Entretanto, a comparação com o primeiro turno revela uma mudança importante. Lula havia recebido 439.027 votos, correspondentes a 37,13%, e acrescentou 81.391 votos à sua votação na capital.
Flávio também cresceu, passando de 641.864 para 657.892 votos, um aumento de 16.028.
Isso significa que, embora a liderança tenha permanecido com Flávio Bolsonaro, Lula registrou um crescimento absoluto mais expressivo entre os dois turnos em Manaus.
A capital concentrou aproximadamente 47% dos votos válidos para presidente no Amazonas. Seu peso eleitoral, portanto, torna especialmente relevante a diferença entre o comportamento dos eleitores de Manaus e o resultado observado no interior.
Barreirinha registra maior percentual de Lula
Entre os 62 municípios, Barreirinha apresentou a maior votação proporcional para o presidente reeleito: 90,90% dos votos válidos.
Outros municípios também registraram percentuais elevados, como Boa Vista do Ramos, com 86,92%; Nhamundá, com 84,58%; Maués, com 83,64%; São Paulo de Olivença, com 83,42%; e Parintins, com 82,75%.
Em Parintins, um dos principais colégios eleitorais do interior, Lula recebeu 44.647 votos, contra 9.305 de Flávio Bolsonaro. O presidente ampliou sua votação proporcional em relação ao primeiro turno, quando havia alcançado 78,66%.
O desempenho também cresceu em municípios de maior população. Em Itacoatiara, Lula passou de 59,03% para 64,59%; em Coari, de 58,53% para 64,02%; e em Tefé, de 58,78% para 63,41%.
Na região de fronteira, São Gabriel da Cachoeira registrou 80% dos votos válidos para Lula, enquanto Tabatinga alcançou 67,90%.
Os resultados evidenciam a diversidade do eleitorado do interior, sem que seja possível atribuir o comportamento das urnas a uma única condição econômica, geográfica ou social.
Flávio vence em cinco municípios
Apesar da maioria estadual conquistada por Lula, Flávio Bolsonaro foi o mais votado em cinco municípios: Manaus, Apuí, Guajará, Boca do Acre e Humaitá.
O maior percentual do candidato do PL ocorreu em Apuí, onde recebeu 72,65% dos votos válidos. Lula ficou com 27,35%, seu menor percentual no Amazonas.
Em Guajará, Flávio alcançou 61,82%, enquanto Lula recebeu 38,18%. Em Boca do Acre, o resultado foi de 56,94% para Flávio e 43,06% para Lula.
Humaitá também manteve a liderança do candidato do PL, com 54,30%, contra 45,70% de Lula.
Mesmo nesses municípios, a comparação entre os turnos mostra crescimento percentual do presidente reeleito. Em Humaitá, Lula havia registrado 39,52% na primeira votação; em Boca do Acre, 38,29%.
A distribuição dos votos revela que as diferenças entre capital e interior não são absolutas. Há municípios do interior onde Flávio obteve maioria e localidades próximas a Manaus que deram vantagem a Lula.
Abstenção cresce no segundo turno
Outro dado relevante foi o comparecimento eleitoral. Dos 2.798.661 eleitores aptos a votar no Amazonas, 2.192.059 compareceram às urnas.
A abstenção chegou a 606.602 eleitores, o equivalente a 21,67% do eleitorado. No primeiro turno, havia sido de 20,16%.
Também foram registrados 18.324 votos em branco e 52.707 nulos para presidente.
O aumento da ausência de eleitores merece atenção em um estado onde as grandes distâncias, a dependência do transporte fluvial e as dificuldades de acesso às comunidades mais afastadas exigem planejamento específico da Justiça Eleitoral.
Os números, isoladamente, não permitem determinar quanto da abstenção foi provocado por obstáculos logísticos ou por decisões individuais dos eleitores. Essa distinção é importante para compreender o alcance da participação democrática no Amazonas.
Novo cenário político para o Amazonas
O resultado do segundo turno colocou Lula novamente na Presidência da República e confirmou Omar Aziz (PSD) como governador eleito do Amazonas, com 61,42% dos votos válidos na disputa estadual.
As duas eleições tiveram comportamentos distintos. Enquanto Omar obteve uma vantagem superior a 22 pontos percentuais sobre Maria do Carmo (PL), a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no Amazonas foi de 8,04 pontos.
A partir de 2027, os governos federal e estadual terão diante de si uma agenda que inclui a defesa da Zona Franca de Manaus, a ampliação dos serviços de saúde, investimentos em infraestrutura, desenvolvimento econômico e enfrentamento dos problemas ambientais.
A votação também demonstra a necessidade de considerar diferentes realidades regionais na formulação das políticas públicas.
O interior teve papel decisivo no resultado presidencial do Amazonas. Manaus, por sua vez, manteve maioria para o candidato de oposição, embora Lula tenha ampliado sua votação na cidade.
As urnas encerraram a disputa eleitoral e definiram os próximos governantes. O desafio que se apresenta agora é fazer com que as decisões administrativas alcancem tanto a capital quanto os municípios mais distantes, respeitando as necessidades de uma população distribuída por um território de dimensões continentais.


