Omar aposta na experiência e detalha propostas no último debate
Na reta final da disputa pelo Governo do Amazonas, candidato defendeu a interiorização da saúde, o reforço da segurança pública e a articulação política em favor do estado
A três dias de os amazonenses decidirem quem governará o estado pelos próximos quatro anos, o último debate eleitoral colocou frente a frente duas visões sobre os caminhos da administração pública. Na noite de quinta-feira (22), na Rede Amazônica, o senador Omar Aziz (PSD) fez da experiência administrativa o principal argumento de sua participação, associando realizações de seus governos a propostas para enfrentar problemas que continuam presentes no cotidiano da população.
Diante da adversária Professora Maria do Carmo (PL), Omar procurou demonstrar como pretende transformar compromissos de campanha em serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde, segurança e proteção social. O encontro também foi marcado por questionamentos entre os candidatos sobre a viabilidade das propostas e suas trajetórias administrativas.
Um dos pontos centrais de sua participação foi a necessidade de reduzir a dependência dos municípios do interior em relação a Manaus. Em um estado onde as distâncias geográficas dificultam o acesso a hospitais e atendimentos especializados, Omar apresentou a regionalização da saúde como uma das prioridades de seu eventual governo.
A proposta prevê a construção de oito hospitais regionais, com 150 leitos cada, distribuídos estrategicamente pelo interior. As unidades ofereceriam atendimento especializado, permitindo que pacientes realizassem consultas, exames e tratamentos sem necessariamente enfrentar longas viagens até a capital.
Para Manaus, o candidato anunciou um hospital destinado à população idosa, três maternidades e a ampliação da rede de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e policlínicas.
“Nós queremos que você viva muito, mas viva com qualidade de vida”, afirmou, ao defender uma estrutura de saúde preparada para atender às necessidades da população que envelhece.
A proposta, entretanto, também foi objeto de confronto. Maria do Carmo questionou um compromisso anterior de Omar relacionado à construção de um hospital para idosos, enquanto o senador defendeu suas realizações na área da saúde. A adversária apresentou seu próprio plano de expansão hospitalar, com seis unidades regionais.
Segurança pública e proteção às mulheres
Outro eixo da participação de Omar foi a segurança pública. O candidato propôs a realização de concursos para ampliar o efetivo das polícias Civil e Militar em 5 mil profissionais, além de defender a formação de 10 mil guardas municipais para atuação no interior, mediante articulação com os municípios.
Também anunciou a intenção de retomar o programa Ronda no Bairro e ampliar o funcionamento das delegacias durante 24 horas, com investimentos em treinamento, equipamentos e estrutura operacional.
As medidas buscam responder a uma realidade que afeta tanto a capital quanto os municípios: a necessidade de ampliar a presença das forças de segurança e melhorar a capacidade de atendimento à população.
A proteção às mulheres também apareceu entre os compromissos apresentados. Omar relembrou iniciativas de atendimento integrado às vítimas de violência durante sua administração e destacou a atuação de sua candidata a vice-governadora, Alessandra Campelo, na defesa dos direitos femininos.
A discussão ocorre em um contexto no qual o enfrentamento à violência de gênero exige mais do que policiamento: depende de acolhimento, investigação, assistência jurídica e condições para que as vítimas consigam romper ciclos de agressão.
O peso da experiência na reta final
Ao longo do debate, Omar recorreu à própria trajetória para sustentar seus argumentos. Citou investimentos em infraestrutura, construção e recuperação de hospitais, ampliação da segurança pública e a entrega de 30 mil moradias, realizações que atribuiu às suas gestões anteriores.
A estratégia evidenciou um dos principais pontos de divergência da disputa. Enquanto Maria do Carmo defendeu mudanças na administração estadual, Omar procurou vincular sua experiência à capacidade de executar projetos e mobilizar recursos.
Na avaliação apresentada pelo senador, governar o Amazonas exige conhecer as particularidades dos municípios, enfrentar as dificuldades logísticas e manter capacidade de negociação com o governo federal.
Foi nesse contexto que ele defendeu a disposição de dialogar com diferentes forças políticas, independentemente de quem ocupar a Presidência da República.
“Eu sou um patriota, mas sou um amazonense que gosta do Amazonas e luta pelo Amazonas. Seja quem estiver na direita ou na esquerda, na Presidência da República, o Omar está aqui para defender os interesses do Estado do Amazonas”, declarou.
A afirmação sintetizou a mensagem política que o candidato buscou transmitir: a defesa de que os interesses estaduais devem orientar as relações institucionais, mesmo diante das divergências partidárias.
Entre as propostas e a realidade amazonense
O debate também evidenciou que os desafios do próximo governo ultrapassam as diferenças entre os candidatos.
Interiorizar a saúde, reduzir a violência, ampliar oportunidades e assegurar serviços públicos de qualidade são demandas antigas de uma população que convive com desigualdades territoriais, dificuldades de acesso e limitações estruturais.
A questão que permanece para o próximo mandato é como transformar os projetos apresentados durante a campanha em resultados concretos, com recursos disponíveis, planejamento e capacidade de execução.
Nas considerações finais, Omar voltou a apresentar sua experiência como garantia de compromisso com o eleitorado.
“Esse Omar é aquele que você conhece, que cumpre a palavra, que faz, que realiza”, afirmou.
Com a campanha chegando ao fim, caberá aos eleitores avaliar não apenas as propostas, mas também os históricos administrativos, as condições de realização dos compromissos e os caminhos apresentados para o futuro do Amazonas.
A decisão será tomada no domingo (25), quando Omar Aziz e Professora Maria do Carmo disputarão os votos que definirão o próximo governador do estado.


