Empresários do Amazonas miram negócios e tecnologia na China
Missão organizada pelo Sebrae-AM leva 21 empreendedores à Canton Fair 2026, uma das maiores vitrines do comércio internacional, em busca de inovação e oportunidades comerciais.
A distância entre Manaus e a China vai muito além dos milhares de quilômetros que separam os dois mercados. Para pequenos e médios empresários amazonenses, ela também envolve desafios logísticos, custos de importação e acesso a tecnologias capazes de tornar os negócios mais competitivos. É justamente para conhecer alternativas e identificar oportunidades que 21 empreendedores da capital amazonense participam de uma missão empresarial em Guangzhou, um dos principais polos industriais e comerciais chineses.
Organizada pelo Sebrae Amazonas, a viagem levou os empresários à Canton Fair 2026, feira internacional de importação e exportação que reúne fabricantes, fornecedores e representantes de diferentes setores da economia mundial. A primeira etapa do evento ocorreu entre os dias 15 e 19 de outubro, com destaque para máquinas, equipamentos industriais, eletrônicos, energia, automação e novas tecnologias.
A presença amazonense revela um movimento de busca por alternativas para modernizar atividades econômicas que vão da produção de alimentos à indústria, passando pelo agronegócio, comércio, serviços e consultoria empresarial.
Mais do que conhecer produtos, os participantes procuram entender como soluções desenvolvidas em um dos maiores centros industriais do planeta podem ser adaptadas à realidade do Amazonas.
Inovação e os desafios da Amazônia
Para empresas instaladas em Manaus, importar máquinas, equipamentos ou insumos exige cálculos que ultrapassam o preço anunciado pelos fabricantes. Frete internacional, tributação, prazos de entrega, assistência técnica e distribuição regional podem determinar se uma oportunidade comercial será realmente vantajosa.
Essa particularidade torna a missão empresarial especialmente relevante. O acesso direto aos fabricantes permite comparar tecnologias, negociar condições e compreender melhor as exigências de uma eventual operação internacional.

A diretora-superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho Normando Pessôa, destaca que a iniciativa pretende ampliar as possibilidades de atuação dos pequenos negócios para além das fronteiras regionais.
Segundo ela, o contato com fornecedores e novas tecnologias oferece informações que ajudam os empreendedores a tomar decisões estratégicas, considerando a capacidade de investimento e as necessidades de cada empresa.
A comitiva reúne representantes de segmentos como piscicultura, insumos agropecuários, energia renovável, produtos médicos, indústria têxtil, alimentação, máquinas e equipamentos, além de serviços especializados.
Essa diversidade demonstra que o interesse pela tecnologia chinesa não está restrito à indústria tradicional. Pequenos negócios também procuram ferramentas para melhorar a gestão, ampliar a produtividade e diversificar suas atividades.
Da inteligência artificial ao agronegócio
Durante a programação, os empresários foram divididos em grupos de interesse, com atenção especial ao agronegócio e às soluções de inovação e tecnologia.
Entre os participantes está Carlos Oshiro, fundador da Targo Consultoria, que acompanha as novidades relacionadas à automação, robótica e inteligência artificial.
A presença dessas tecnologias na feira oferece um panorama das transformações que já influenciam processos produtivos, serviços e modelos de gestão em diferentes mercados.
Para a diretora técnica do Sebrae-AM, Lamisse Said da Silva Cavalcanti, conhecer essas inovações permite aos empresários identificar possibilidades de aperfeiçoar processos e ampliar a competitividade das empresas amazonenses.
A empresária e educadora financeira Roberta Veras Antonio, da RVA Consultoria Empresarial, também participa da missão com interesse em soluções aplicáveis à gestão empresarial.
Sua expectativa é transformar a experiência internacional em conhecimento que possa beneficiar tanto a própria empresa quanto os clientes atendidos por suas consultorias.
As diferentes motivações mostram que a internacionalização não se resume necessariamente à compra de produtos estrangeiros. O aprendizado sobre processos, tecnologia e formas de organização também pode produzir mudanças importantes nos negócios locais.
Oportunidade internacional, resultado local
A dimensão do mercado chinês ajuda a explicar o interesse dos empreendedores. Em 2025, a China exportou aproximadamente US$ 3,77 trilhões em mercadorias, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), mantendo sua posição de liderança nas exportações globais.
A Canton Fair funciona como uma vitrine dessa capacidade produtiva, reunindo empresas que buscam compradores e parceiros comerciais em diferentes países.
Para o Amazonas, entretanto, o verdadeiro potencial da missão será medido depois do retorno dos empresários, quando os contatos realizados e as tecnologias conhecidas poderão se transformar em investimentos, parcerias ou melhorias concretas.
A iniciativa do Sebrae-AM inclui suporte especializado em negócios internacionais, além da organização da viagem e da participação na feira. O objetivo é oferecer condições para que os empreendedores avaliem oportunidades comerciais com maior segurança.
A diretora administrativa e financeira da instituição, Adrianne Antony Gonçalves, ressalta que conhecer fornecedores é apenas uma das etapas. A viabilidade de cada negociação depende de planejamento, análise de riscos e avaliação dos custos envolvidos.
Essa preocupação ganha importância em uma economia como a amazonense, marcada por particularidades geográficas e logísticas que influenciam diretamente os custos das empresas.
A missão à China abre uma janela para novos mercados. Mas transformar essa experiência em desenvolvimento econômico dependerá da capacidade de adaptar o conhecimento adquirido às condições locais.
É nesse encontro entre inovação internacional e realidade amazônica que poderão surgir oportunidades capazes de fortalecer os negócios da região.
Fotos: Divulgação


