TRE-AM adapta transporte de urnas para enfrentar estiagem
Justiça Eleitoral utilizará embarcações menores e veículos alternativos para manter a votação em comunidades isoladas no segundo turno
A redução do nível dos rios amazonenses exigiu mudanças na operação de transporte das urnas eletrônicas para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Para garantir que o voto chegue às comunidades rurais e ribeirinhas, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) vai adaptar os meios de transporte às condições de acesso de cada localidade, sem previsão de fechamento de seções eleitorais por causa da estiagem.
O desafio é superar as dificuldades impostas pela seca no intervalo de apenas 21 dias entre os dois turnos. Em regiões onde embarcações maiores já não conseguem navegar, a Justiça Eleitoral recorrerá a voadeiras, rabetas e, quando necessário, veículos terrestres ou deslocamentos a pé.
Segundo o assessor de Gestão de Logística das Eleições do TRE-AM, Marcelo Sussuarana, a estratégia permite ajustar o percurso até as comunidades mais distantes, sem comprometer o planejamento da votação.
“Um local que chegava de barco, a gente vai passar a chegar de voadeira. Onde se chegava de voadeira, vamos passar a chegar de rabeta”, explicou. O planejamento também prevê o uso de triciclos, quadriciclos e outros recursos, conforme as condições do terreno.

Seca exige adaptações, mas não ameaça votação
Apesar da redução dos níveis dos rios, o TRE-AM avalia que a estiagem de 2026 apresenta impactos logísticos menores do que os registrados em 2024, quando a seca histórica dificultou o acesso a diversas comunidades do interior.

A avaliação considera a experiência do primeiro turno, realizado sem interrupções significativas no transporte das urnas.
“A nossa expectativa é que nenhum local de votação deixe de funcionar por conta da estiagem”, afirmou Sussuarana.
A manutenção da estrutura eleitoral é especialmente importante no Amazonas, onde rios e igarapés funcionam como vias de acesso para comunidades afastadas das sedes municipais. Nessas localidades, a chegada das urnas depende de planejamento antecipado, condições de navegabilidade e alternativas para os trechos mais afetados pela seca.

Calor e baixa umidade preocupam
Mais do que as dificuldades de transporte, as condições climáticas representam uma preocupação para a Justiça Eleitoral neste segundo turno.
As temperaturas elevadas, a baixa umidade do ar e os incêndios florestais podem comprometer o conforto térmico de eleitores e trabalhadores envolvidos na votação.
Para o TRE-AM, entretanto, esses fatores não devem impedir o funcionamento das seções. A expectativa é repetir a operação do primeiro turno, com ajustes para reduzir os efeitos das condições climáticas.
Locais de votação serão mantidos
O Tribunal confirmou que todos os locais de votação utilizados no primeiro turno serão mantidos no segundo. Não haverá criação de novas unidades nesse intervalo, devido à complexidade operacional.
Mudanças de endereço poderão ocorrer apenas em situações excepcionais, quando alguma estrutura não apresentar condições adequadas para receber os eleitores. Nesses casos, a substituição deverá ocorrer preferencialmente dentro da própria comunidade.
Com as adaptações, a Justiça Eleitoral pretende assegurar que as limitações impostas pela geografia e pelo clima não se transformem em obstáculos ao exercício do voto, sobretudo para os moradores das áreas mais isoladas do Amazonas.
Fotos: Larissa Silva e Divulgação/TRE-AM


