Aleam repudia ameaça feita à Alessandra Campelo
Em nota oficial, Assembleia Legislativa condena intimidação contra mulheres na política e cobra apuração de episódio ocorrido durante debate da TV Norte
A denúncia de ameaça contra a deputada estadual Alessandra Campelo, nos bastidores do debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, ultrapassou o ambiente da disputa eleitoral e provocou uma reação institucional. Nesta terça-feira (13), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) divulgou nota de repúdio ao episódio e defendeu a apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Assinado pelo presidente da Casa, deputado Adjuto Afonso, em nome dos parlamentares estaduais, o posicionamento condena atitudes que possam intimidar mulheres no exercício da vida pública e chama atenção para a violência política de gênero.
O episódio ocorreu durante o debate promovido pela TV Norte, em Manaus. Alessandra Campelo, que integra a chapa de Omar Aziz (PSD) como candidata a vice-governadora, relatou ter sido ameaçada por Kidson Maia (PL), candidato a deputado estadual não eleito.
Segundo a parlamentar, Kidson teria feito repetidamente gestos semelhantes ao movimento de cortar o pescoço, interpretados por ela como uma ameaça de morte.
“Eu me senti ameaçada naquele momento”, declarou Alessandra à imprensa, ao questionar a gravidade de uma atitude praticada diante de jornalistas e outras pessoas presentes no local.
Imagens divulgadas após o debate mostram a gesticulação que motivou a denúncia e provocou questionamentos de profissionais da imprensa.
Assembleia cobra respeito e apuração
Na manifestação oficial, a Aleam afirma ser inadmissível qualquer comportamento que possa intimidar, constranger ou colocar em risco a integridade de uma mulher, especialmente durante sua atuação pública.
A instituição também ressalta que divergências políticas não justificam ameaças ou atitudes desrespeitosas.
O posicionamento ganha relevância por partir do Legislativo estadual, do qual Alessandra faz parte, e por ampliar a discussão para um problema que ultrapassa as disputas partidárias: a intimidação de mulheres que ocupam espaços de poder e representação.
A violência política de gênero não se limita a agressões físicas. Pode envolver ameaças, constrangimentos e outras condutas destinadas a dificultar ou restringir a participação feminina na vida pública. O enquadramento jurídico de cada episódio, entretanto, depende da apuração de suas circunstâncias.
Durante a repercussão do caso, o vereador Sargento Salazar (PL), deputado federal eleito e aliado de Kidson, afirmou que o gesto poderia ter diferentes interpretações, inclusive uma referência a uma possível derrota eleitoral. Kidson foi questionado por jornalistas, mas não apresentou esclarecimento conclusivo sobre o significado do movimento.
Alessandra anunciou que buscaria providências policiais contra o episódio.
Ao manifestar solidariedade à parlamentar, Adjuto Afonso reafirmou o compromisso da Assembleia com a defesa dos direitos das mulheres e o respeito às instituições democráticas.
A nota encerra com um princípio que deve prevalecer independentemente das posições políticas dos envolvidos: o confronto de ideias é legítimo e necessário em uma democracia, mas não pode abrir espaço para intimidação ou ameaças.
A apuração dos fatos caberá às autoridades competentes.


