Shádia aponta falta de médicos no interior como desafio da saúde
Candidata a vice de David defende política de fixação de profissionais e decisões técnicas no governo
A dificuldade de manter médicos nos municípios do interior deve estar entre as prioridades da política de saúde de um eventual governo de David Almeida, segundo a candidata a vice-governadora Dra. Shádia Fraxe (Avante).
Ex-secretária municipal de Saúde de Manaus, Shádia afirmou nesta sexta-feira (4), durante entrevista ao programa Manhã no Ar, da TV A Crítica, que a falta de profissionais fora da capital continua sendo um dos principais gargalos enfrentados pelos prefeitos amazonenses.
“Nós temos que ter políticas públicas de fixação de médico no interior, porque isso é um grande gargalo para os prefeitos”, declarou.
Para a candidata, enfrentar o problema exige medidas de longo prazo, capazes de tornar a permanência dos profissionais mais viável nos municípios, e não apenas investimentos pontuais em estrutura ou equipamentos.
A declaração coloca a interiorização da assistência médica entre os temas que Shádia pretende levar para uma eventual gestão estadual e reforça a defesa de que decisões na saúde sejam orientadas por critérios técnicos.
Experiência na saúde
Ao longo da entrevista, Shádia relacionou essa visão à experiência acumulada à frente da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), onde foi a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária.
Ela afirmou que sua escolha para comandar uma das maiores estruturas da administração municipal ocorreu por critério técnico e destacou a autonomia que teve durante a gestão.
“Por que nós tivemos esse resultado? Porque eu tive carta branca para trabalhar”, afirmou.
A candidata também defendeu que a presença feminina nos espaços de poder não seja tratada apenas como representação simbólica.
“O nosso lugar, independentemente de gênero, não é ocupado apenas por uma posição. Estamos ali porque temos conhecimento, conhecimento técnico e competência para isso”, disse.
Técnica no governo
Shádia afirmou que a passagem pela Semsa também mudou sua percepção sobre a relação entre gestão e política. Segundo ela, comandar uma secretaria significa definir orçamento, prioridades e políticas públicas.
“Quando você assume um cargo de gestão, uma pasta como essa, eu demorei muito para entender que o cargo de secretário também é um cargo político. Você define o orçamento, define os caminhos e define a política”, explicou.
Antes de integrar a chapa de David Almeida, Shádia chegou a considerar uma candidatura à Câmara Federal, com a intenção de atuar na captação de recursos e na construção de projetos para a saúde.
Papel de vice
Ao comentar a relação com David, Shádia disse que a parceria construída na Prefeitura de Manaus funcionava com divisão de responsabilidades entre articulação política e gestão técnica.
“O David é um líder para mim, ele é um estadista. Porque ele é um articulador político e eu fui a parte técnica. Então, o que dá certo é ouvir a área técnica sem um viés político”, afirmou.
Questionada sobre a possibilidade de voltar a comandar diretamente a saúde em um eventual governo estadual, ela evitou antecipar uma definição, mas afirmou estar disponível.
“Se assim for o desejo e com o nosso governador David, eu estou pronta para estar onde ele achar que eu devo estar”, declarou.
Com a discussão sobre a falta de médicos no interior, Shádia tenta levar para a campanha um problema recorrente da saúde amazonense e se apresentar como uma voz técnica dentro da chapa de David Almeida.


