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Operação La Máquina revela logística aérea do tráfico na Amazônia

PF e Gaeco identificaram esquema com aviões, pilotos, pistas clandestinas e empresas de fachada; grupo investigado movimentou mais de R$ 35 milhões

Atualizada às em 13 de agosto de 2026, às 17h30

MANAUS (AM) — A Operação La Máquina, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (Gaeco/MPAM), revelou uma estrutura especializada no transporte de drogas a partir da Amazônia para outras regiões do país.

Novas informações divulgadas pelo Ministério Público do Amazonas detalham que a organização investigada utilizava aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas, empresas de fachada e uma estrutura financeira voltada à movimentação de recursos provenientes das atividades ilícitas.

A operação cumpriu 43 medidas judiciais em oito estados: Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.

Do total, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão e quatro medidas cautelares diversas da prisão.

Mais de 100 policiais federais e integrantes do Gaeco participaram da operação, que também contou com apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar.

Aviões e pistas clandestinas

O monitoramento de pistas clandestinas no interior do Amazonas esteve entre os pontos de partida da investigação.

Com o avanço das apurações, PF e Gaeco identificaram uma estrutura com divisão de tarefas para manter a logística do tráfico.

Segundo a investigação, havia pessoas responsáveis pelo financiamento das operações, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção e abastecimento dos aviões, armazenamento das drogas, distribuição dos entorpecentes e movimentação do dinheiro.

O grupo utilizava diferentes meios de transporte, combinando os modais aéreo, fluvial e terrestre para movimentar as cargas.

As investigações também identificaram indícios de adulteração de elementos de identificação das aeronaves, estratégia que teria como objetivo dificultar a fiscalização.

A Justiça determinou ainda a destruição de duas pistas clandestinas utilizadas pela estrutura investigada, localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo, no Amazonas.

Por que a operação recebeu o nome La Máquina

O próprio nome da operação ajuda a revelar a importância das aeronaves para o esquema investigado.

Segundo o MPAM, “La Máquina” era uma expressão utilizada nas comunicações interceptadas pelos investigadores para fazer referência aos aviões empregados nos chamados “fretes” de drogas.

A investigação também relacionou à estrutura criminosa episódios envolvendo aeronaves na região amazônica, entre eles uma interceptação aérea seguida de ação policial na região de Tefé.

Outro episódio investigado envolve o desaparecimento de uma aeronave nas proximidades da fronteira com a Venezuela, em circunstâncias consideradas compatíveis com um acidente.

R$ 35 milhões movimentados

A investigação avançou também sobre a estrutura financeira atribuída ao grupo.

As apurações identificaram movimentações superiores a R$ 35 milhões realizadas por pessoas físicas e empresas vinculadas aos investigados, em valores considerados incompatíveis com as atividades econômicas formalmente declaradas.

Segundo o MPAM, o esquema teria utilizado empresas de fachada, transferências fracionadas, terceiros e bens registrados em nome de outras pessoas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Os recursos provenientes das atividades investigadas teriam sido aplicados em imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.

Como parte das medidas de descapitalização da organização, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.

Também foram sequestrados 31 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões, além de dois centros comerciais.

Investigação continua

Os fatos apurados podem caracterizar, em tese, os crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais.

O material recolhido durante as buscas ainda será analisado pela Polícia Federal e pelo Gaeco. Segundo o Ministério Público, essa etapa poderá levar à identificação de outros envolvidos e de novos crimes relacionados ao esquema.

Até esta atualização, PF e MPAM não haviam divulgado oficialmente a identidade dos investigados nem apresentado um balanço definitivo de eventuais drogas, armas, dinheiro ou outros materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

O Valor Amazônico continuará acompanhando os desdobramentos da Operação La Máquina e atualizará esta reportagem caso novas informações oficiais sejam divulgadas.

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