Braga chega à reta final na liderança da disputa pelo Senado
À frente nas pesquisas, senador aposta na experiência em Brasília, na defesa da Zona Franca e em apoios que ultrapassam os limites do próprio palanque
Eduardo Braga (MDB) chega à reta final da campanha ao Senado em uma posição política singular. Lidera levantamentos recentes, tem o apoio de Omar Aziz (PSD), com quem divide o palanque, e conseguiu levar sua candidatura para além das fronteiras da própria coligação.
Um dos movimentos mais simbólicos veio do prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), um dos principais articuladores da campanha de David Almeida ao Governo do Amazonas. Mesmo em campo adversário ao de Omar, Renato declarou apoio à reeleição de Braga e justificou a escolha pela parceria construída com Manaus e pelos recursos destinados à capital.
David adotou uma posição diferente. Disse que não faria campanha por Braga porque o senador já havia escolhido Omar para o governo, mas afirmou que pretende votar nele. Na prática, a candidatura de Braga conseguiu estabelecer pontes com lideranças dos dois principais campos políticos desta eleição.

Liderança mantida
Essa capacidade de articulação ocorre justamente quando Braga aparece numericamente à frente na disputa.
Pesquisa PoderData divulgada nesta sexta-feira (25) mostra o senador com 42% das intenções de voto na primeira escolha, contra 29% de Capitão Alberto Neto. O levantamento ouviu 1.200 pessoas em 56 municípios, entre os dias 20 e 23 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Como o eleitor amazonense poderá escolher dois senadores, a leitura das pesquisas exige atenção. Ainda assim, levantamentos recentes vêm colocando Braga na primeira posição, enquanto a disputa pelas posições seguintes apresenta maior variação.
Peso em Brasília
Parte dessa força política é construída fora do período eleitoral.
Braga ocupa espaço de influência no Senado e, nos últimos anos, esteve diretamente envolvido em algumas das principais discussões econômicas do país. A atuação como relator de etapas da Reforma Tributária deu ao senador protagonismo em uma negociação nacional que interessava particularmente ao Amazonas por causa da Zona Franca de Manaus.

Esse talvez seja um dos principais ativos que Braga leva para as urnas: a capacidade de transformar presença política em Brasília em participação direta nas decisões que afetam o modelo econômico do estado.
Também entram nessa conta os recursos articulados por meio de emendas parlamentares e de bancada, destinados a áreas como saúde, infraestrutura, habitação e desenvolvimento nos municípios.

A BR-319 também ocupa espaço nessa atuação. Braga tem participado das articulações em Brasília pela recuperação e pavimentação da rodovia, considerada estratégica para a ligação terrestre do Amazonas com o restante do país. Neste ano, o governo federal anunciou R$ 678 milhões para intervenções em 339 quilômetros da BR-319, além de R$ 44 milhões para a ponte sobre o rio Igapó-Açu. Ao tratar do avanço das obras no Senado, Braga destacou a construção política envolvendo a bancada amazonense, o governo federal, o Ministério dos Transportes, o Dnit e a Advocacia-Geral da União. A pauta tornou-se mais um exemplo de como o senador procura usar sua interlocução em Brasília para destravar demandas históricas do estado.
Quando Renato Junior anunciou apoio a Braga, por exemplo, citou resultados dessa parceria com Manaus, entre eles projetos habitacionais viabilizados com recursos federais.
Voto além do palanque
É justamente essa combinação que torna a campanha de Braga diferente nesta reta final.
Ele permanece no palanque de Omar Aziz, que já confirmou apoio à sua reeleição, mas conseguiu construir interlocução com lideranças ligadas a David Almeida.
Em uma eleição marcada por disputas duras pelo Governo do Estado, Braga tenta fazer da eleição para o Senado uma disputa própria, sustentada menos pela polarização entre grupos e mais pelo argumento da experiência, da articulação e das entregas realizadas ao Amazonas.
A liderança registrada nas pesquisas não antecipa o resultado das urnas, mas mostra que, neste momento da campanha, Braga entra nos últimos dias em posição confortável no primeiro voto, enquanto os demais nomes seguem disputando espaço em uma corrida que ainda reserva duas vagas.


