Manaus entra no mapa mundial da qualidade de vida
Capital amazonense aparece entre as três cidades brasileiras avaliadas em levantamento internacional sobre qualidade de vida
Manaus está entre as três cidades brasileiras incluídas no Índice Global de Habitabilidade da Economist Intelligence Unit (EIU), levantamento internacional que avalia as condições de vida em 173 centros urbanos. A capital amazonense ocupa a 134ª posição, atrás do Rio de Janeiro, em 108º lugar, e de São Paulo, na 115ª colocação.
A presença no ranking coloca Manaus em uma vitrine pouco comum para as cidades da Amazônia. Ao mesmo tempo, a posição evidencia a distância que ainda separa a capital dos centros urbanos mais bem avaliados do mundo e expõe desafios históricos relacionados à infraestrutura, mobilidade, meio ambiente, saneamento e desigualdade territorial.
O levantamento considera cinco grandes áreas: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura. Copenhague, na Dinamarca, lidera a lista, seguida por Viena, na Áustria, e Melbourne, na Austrália.

Mudanças visíveis na paisagem urbana
Manaus aparece no ranking após um período de mudanças importantes na estrutura da cidade. Nos últimos cinco anos, houve ampliação da atenção básica à saúde, recuperação de vias, abertura de vagas em creches e requalificação de espaços públicos.
Parte dessas intervenções foi iniciada durante a administração de David Almeida e passou a integrar a agenda de continuidade da gestão de Renato Junior. Mais do que a autoria política, porém, o que deve orientar a avaliação é o impacto dessas ações na vida cotidiana da população.

Entre os exemplos mais visíveis estão o Mirante Lúcia Almeida e o Píer Manaus 355, que devolveram à população parte da orla do Centro Histórico e fortaleceram a relação da cidade com o rio Negro. Na zona Oeste, a Lagoa da Compensa foi transformada em espaço de lazer, esporte, convivência e geração de renda.
Esses equipamentos ajudam a ampliar o acesso gratuito a áreas de descanso e entretenimento, especialmente em uma cidade onde boa parte da população ainda encontra poucas opções públicas de lazer perto de casa.
Saúde e educação avançam
Um dos indicadores que mais avançaram foi a cobertura da atenção primária à saúde. Dados municipais apontam que o índice, estimado em cerca de 42% no início de 2021, alcançou 84% em maio de 2024, após a construção, reforma e modernização de unidades.
A expansão fortaleceu serviços como vacinação, consultas, acompanhamento de gestantes, atendimento odontológico e prevenção de doenças. O desafio é assegurar equipes completas, reduzir filas e garantir que a melhoria da estrutura física seja acompanhada por atendimento contínuo e resolutivo.

Na educação infantil, o número de vagas em creches passou de aproximadamente 5 mil para 14 mil. O crescimento representa apoio direto às famílias, sobretudo às mulheres que precisam conciliar trabalho, estudo e cuidado com os filhos.
Apesar da expansão, a procura continua superior à oferta. Mais de 8,7 mil inscrições foram registradas para o ano letivo de 2026, indicando que a educação infantil permanece entre as áreas que exigem investimento permanente.

Mobilidade entre os maiores desafios
A recuperação viária alcançou milhares de ruas e importantes corredores de tráfego. Também foram entregues estruturas viárias e incorporados novos ônibus ao sistema de transporte coletivo.
As intervenções melhoraram trechos da cidade, mas Manaus ainda convive com congestionamentos, crescimento acelerado da frota, calçadas inadequadas e longos deslocamentos entre os bairros e as áreas de emprego.

Para avançar em futuros levantamentos, a cidade precisará ir além da abertura e recuperação de vias. Será necessário tornar o transporte coletivo mais eficiente, acessível e integrado ao planejamento urbano.
Igarapés revelam contradições
Em uma cidade cortada por cursos d’água, limpeza urbana e qualidade de vida estão diretamente relacionadas. Em 2025, o município informou ter retirado mais de 835 mil toneladas de resíduos por meio dos diferentes serviços de coleta e limpeza.
O trabalho inclui coleta domiciliar, limpeza de ruas, retirada de resíduos dos igarapés e combate a pontos de descarte irregular. Ainda assim, o lixo lançado em calçadas, terrenos e cursos d’água continua comprometendo a drenagem, favorecendo alagamentos e ampliando riscos à saúde.

A situação dos igarapés resume uma das principais contradições de Manaus: a cidade está localizada no coração da maior floresta tropical do planeta, mas ainda enfrenta graves problemas ambientais urbanos.
Reconhecimento e alerta
A 134ª posição não deve ser vista como derrota nem como motivo para celebração exagerada. Rankings internacionais oferecem uma fotografia parcial das cidades e nem sempre conseguem registrar as particularidades de uma metrópole amazônica.
Ainda assim, o levantamento funciona como parâmetro. Manaus avançou na ampliação de serviços, na recuperação de espaços públicos e na melhoria de parte de sua infraestrutura. O desafio agora é fazer com que esses avanços cheguem de forma mais equilibrada a todas as zonas da cidade.

Subir no ranking dependerá menos de grandes anúncios e mais da capacidade de transformar investimentos em políticas permanentes: ampliar o saneamento, melhorar o transporte público, reduzir desigualdades, proteger os igarapés e garantir serviços urbanos de qualidade.
A presença entre as três cidades brasileiras avaliadas coloca Manaus no mapa mundial da habitabilidade. A posição alcançada, porém, mostra que a maior capital da Amazônia ainda tem um longo caminho a percorrer.
Foto: Divulgação/Semcom


