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Amazonas transforma plástico em moradia e cria nova cadeia de desenvolvimento sustentável

Projeto EcoLar já retirou mais de 60 mil toneladas de resíduos do meio ambiente e avança para construir o primeiro conjunto habitacional produzido com plástico reciclado em Manaus

O que antes era um dos principais desafios ambientais das cidades amazônicas está se transformando em matéria-prima para moradias populares, geração de renda e desenvolvimento sustentável. No Amazonas, mais de 60 mil toneladas de resíduos plásticos já foram retiradas do meio ambiente por meio do projeto Amazonas EcoLar, iniciativa que alia inovação tecnológica, habitação social e economia circular.

Criado durante a gestão do ex-governador Wilson Lima e mantido pelo atual governo estadual, o programa converte resíduos sólidos em blocos estruturais utilizados na construção de casas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social. A proposta avança agora para uma nova etapa com a implantação do primeiro conjunto habitacional produzido a partir de plástico reciclado, no bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus.

O empreendimento contará com 16 unidades habitacionais e representa uma experiência pioneira no estado ao unir sustentabilidade ambiental, inclusão social e inovação na construção civil.

“O Amazonas EcoLar é uma solução. É uma iniciativa que cuida das pessoas, protege o meio ambiente e pode ser replicada em outros estados. Mostramos que é possível enfrentar dois grandes desafios ao mesmo tempo: a habitação e a destinação correta dos resíduos plásticos”, afirmou Wilson Lima.

Economia circular

Coordenado pela Defesa Civil do Amazonas, o projeto utiliza resíduos plásticos coletados por cooperativas e centros de reciclagem que passam por processos de separação, moagem e transformação até se converterem em blocos estruturais empregados nas construções.

As moradias terão aproximadamente 50 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Entre os diferenciais estão isolamento térmico e acústico, resistência à umidade, ao mofo e ao fogo, além da utilização de biodigestores para tratamento dos efluentes.

Para o governador Roberto Cidade, a iniciativa representa um modelo de política pública capaz de integrar diferentes áreas estratégicas.

“O projeto Amazonas EcoLar representa uma solução integrada que transforma um passivo ambiental em ativo social, reforçando o compromisso do Estado com políticas públicas voltadas à sustentabilidade, à inovação e à proteção das populações mais vulneráveis”, destacou.

As obras do residencial serão executadas pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), enquanto a montagem das unidades ficará sob responsabilidade da Defesa Civil.

Emprego e renda

Além dos benefícios ambientais e habitacionais, o Amazonas EcoLar também impulsiona a economia local. Antes da implantação do projeto, grande parte do plástico coletado no estado precisava ser enviada para outras regiões do país para processamento industrial.

Com a criação do Centro de Reciclagem da Defesa Civil, todo o ciclo passou a ocorrer no Amazonas, reduzindo custos logísticos e agregando valor ao material reciclado.

O impacto econômico já pode ser medido. Desde o início das atividades do centro, foram gerados 61 postos de trabalho, sendo 19 diretos e 42 indiretos. Atualmente, três cooperativas participam do fornecimento da matéria-prima utilizada na fabricação dos blocos estruturais.

O engenheiro civil Marcellus Campêlo, que participou da implantação do projeto quando esteve à frente da Sedurb e da UGPE, destaca que a iniciativa cria benefícios simultâneos para o meio ambiente e para as famílias atendidas.

“A iniciativa contempla, com habitação, as famílias que mais precisam e diminui o passivo ambiental gerado pelo descarte irregular de resíduos sólidos”, ressaltou.

Modelo para o futuro

A expectativa do governo estadual é ampliar o alcance da tecnologia para outras estruturas públicas. Além de residências, os blocos produzidos a partir de plástico reciclado poderão futuramente ser utilizados na construção de escolas, centros comunitários, postos de fiscalização e equipamentos públicos em diferentes municípios amazonenses.

Mais do que retirar resíduos do meio ambiente, o Amazonas EcoLar cria uma nova lógica para a destinação do plástico descartado, transformando um problema ambiental em oportunidade de desenvolvimento econômico, inclusão social e melhoria da qualidade de vida da população.

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