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Documentário amazonense sobre Anamã chega à final de festival dedicado aos saberes da Amazônia

Filme dirigido por Orlando Júnior será exibido em Boa Vista e reforça a presença do audiovisual amazonense em eventos nacionais

A força das histórias produzidas na Amazônia volta a ganhar destaque no cenário audiovisual brasileiro. O documentário “Anamã, a Veneza da Amazônia”, dirigido pelo jornalista e cineasta amazonense Orlando Júnior, está entre os finalistas da Mostra Oficial Saberes Amazônicos, principal competição do FestCine Saberes Amazônicos, realizado em Boa Vista, Roraima.

A obra será exibida nesta sexta-feira (13), no Centro Amazônico de Fronteiras da Universidade Federal de Roraima (UFRR), concorrendo na categoria Documentário Nacional ao lado de produções de diferentes estados do país.

Com 20 minutos de duração, o filme retrata a realidade do município de Anamã durante uma das maiores enchentes registradas na bacia amazônica. Gravado em 2021, o documentário acompanha a rotina da população e revela como a cidade tem enfrentado, ao longo da última década, os impactos recorrentes das cheias do rio Solimões.

Olhar amazônico

Para Orlando Júnior, a seleção representa mais do que o reconhecimento de uma obra audiovisual. É também uma oportunidade de ampliar a visibilidade das narrativas produzidas por realizadores da região Norte.

Segundo o diretor, o documentário busca valorizar a identidade amazônica por meio de histórias construídas a partir da experiência de quem vive diariamente os desafios e as riquezas da floresta e dos rios.

“Estar entre os finalistas de uma mostra dedicada aos saberes amazônicos é um reconhecimento muito significativo. O filme conta histórias da nossa gente, valorizando a identidade, a memória e a relação profunda que as comunidades mantêm com o território”, destacou.

A produção apresenta Anamã como uma cidade moldada pelas águas, onde a convivência com os ciclos dos rios faz parte da cultura local e da própria sobrevivência da população.

Trajetória premiada

A participação no festival de Roraima amplia a trajetória de reconhecimento do documentário. Em 2025, “Anamã, a Veneza da Amazônia” conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no 9º Curta Canedo – Festival Nacional de Cinema de Senador Canedo, em Goiás, considerado um dos principais eventos audiovisuais da região Centro-Oeste.

A obra também integrou a programação da Mostra Ocupa CCVM – Amazônia em Foco, realizada no Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís, além da 2ª Mostra de Cinema Amazônico de Boa Vista e do projeto Cabé – Cinema a Céu Aberto, em Manaus.

Cinema da Amazônia

De acordo com a organização do FestCine Saberes Amazônicos, a mostra foi criada para fortalecer a produção audiovisual independente e ampliar o alcance de obras que abordam temas ligados à diversidade cultural, ao patrimônio regional e às questões socioambientais da Amazônia.

Membro da comissão organizadora, Éder Santos destacou que o festival recebeu cerca de 90 inscrições de diferentes estados brasileiros, evidenciando o crescimento da produção cinematográfica voltada para as narrativas amazônicas.

Para ele, a seleção dos finalistas representa um esforço para valorizar produções que retratam a realidade dos povos da região a partir de uma perspectiva autêntica e comprometida com suas identidades.

Produção amazonense

O documentário é uma realização da La Xunga Produções, produtora fundada em Manaus em 2014 e que atua em diferentes segmentos do audiovisual, incluindo documentários, filmes de ficção, publicidade, jornalismo, videoclipes e produções institucionais.

Além da direção, Orlando Júnior também assina o roteiro e a direção de fotografia. A equipe reúne profissionais reconhecidos do audiovisual amazonense, como Fernando Crispim, responsável pela montagem e finalização, Leandro Nunes, nas imagens, e Bruno Kelly, que assina o making of e as fotografias de bastidores.

Ao alcançar mais uma seleção nacional, “Anamã, a Veneza da Amazônia” reforça a crescente presença do cinema produzido na Amazônia nos festivais brasileiros e evidencia a capacidade da região de contar suas próprias histórias com sensibilidade, qualidade técnica e identidade cultural.

Fotos: Bruno Kelly 

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