Seis das dez áreas protegidas mais ameaçadas de desmatamento na região Norte estão no Amazonas

Nova fronteira do desmatamento avança pela região sul do Amazonas, revela estudo do Imazon

Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revela que o estado do Amazonas tem seis das ameaças e pressões de desmatamento em unidades de conservação e terras indígenas na Amazônia entre abril e junho.

O Imazon destaca que a chamada “nova fronteira do desmatamento”, que avança pelo sul do Amazonas, tem provocado intensa pressão sobre as áreas protegidas do estado, que tem superado índices históricos de desmatamento nos últimos anos e, em 2021, se tornou o segundo que mais destruiu a floresta, segundo números oficiais.

Entre abril e junho deste ano 2022, estavam sob o risco iminente de ocorrência de desmatamento, o Parque Nacional Mapinguari – que também tem parte do território em Rondônia – (1º lugar), a Floresta Nacional do Iquiri (3º lugar), Floresta Nacional do Aripuanã (4º lugar), Parque Nacional dos Campos Amazônicos – que tem porções no Mato Grosso e Rondônia – (6º lugar), Floresta Nacional de Balata-Tufari (8º lugar) e Floresta Nacional do Jatuarana (9º lugar). Todas estão sob a tutela do governo Federal.

No mesmo período do ano anterior (abril a junho de 2021), eram quatro o número de unidades sob ameaça no estado.

Agora, quando consideradas as áreas protegidas que sofreram maior pressão – onde o desmatamento foi consolidado, segundo o Imazon –, o Pará aparece no topo da lista, no período de abril a junho de 2022.

No Pará também está a maioria das Terras Indígenas com maior pressão na Amazônia. Cinco das dez TIs mais pressionadas estão neste estado. Na primeira posição do ranking vem a TI Apyterewa, que somente em junho concentrou 52% de todo desmatamento ocorrido nas terras indígenas da Amazônia.

“Foram 14 km², o que corresponde a 1.400 campos de futebol”, explica Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

A Apyterewa, terra indígena localizada no município de São Félix do Xingu,  já havia sido a terra indígena mais desmatada na Amazônia em 2021, o que apontava a necessidade urgente de ações de proteção ao território.

Neste ano, em maio, novas invasões de grileiros foram registradas no local, onde reside o povo Parakanã.

Conforme a Polícia Federal, os invasores inclusive haviam deixado rebanhos bovinos sobre a terra indígena.

Na fronteira do Pará com Amazonas e Mato Grosso, por onde o desmatamento avança, a pressão sobre Terras Indígenas também é verificada. Nesta região, está localizada a TI Mundurucu, que ocupa a 9ª posição do ranking do Imazon. Ela é habitada pelos povos Apiaká, isolados do Alto Tapajós e Munduruku.

“Esse é um ponto crítico quando falamos de destruição da floresta, inclusive dentro de áreas de proteção ambiental já demarcadas como a Terra Indígena Mundurucu”, relata Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.

Fotos: Divulgação/Imazon

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