Fumaça sufoca Manaus e leva Ufam e Ifam a suspender aulas
Capital registrou níveis críticos de poluição nesta quinta-feira (8); instituições adotaram medidas para proteger estudantes e servidores
Manaus amanheceu nesta quinta-feira (8) novamente encoberta por uma densa camada de fumaça. O agravamento da poluição atmosférica levou a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) a suspenderem atividades presenciais, enquanto os indicadores de qualidade do ar atingiram níveis preocupantes em diferentes pontos da capital.
Por volta das 6h30, Manaus aparecia como a cidade com o ar mais poluído do Brasil no monitoramento em tempo real da plataforma internacional IQAir. A situação evidencia a gravidade da crise ambiental que voltou a atingir a população durante o período de estiagem.
Na Ufam, a suspensão abrange as atividades acadêmicas e administrativas presenciais em todas as unidades localizadas na capital. A orientação é manter aulas e trabalhos remotamente, quando possível, preservando apenas os serviços essenciais e aqueles que não podem ser realizados a distância.
Segundo a universidade, a decisão foi adotada após a expectativa de ventos durante a madrugada, que poderiam dispersar os poluentes, não se confirmar.
No Ifam, as medidas variam conforme a unidade. O Campus Manaus Centro suspendeu as atividades presenciais no turno da manhã, mantendo, inicialmente, a programação da tarde e da noite. Já o Campus Manaus Zona Leste interrompeu as atividades presenciais em todos os turnos, com orientação para continuidade remota.

Poluição atinge níveis extremos
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram concentrações extremamente elevadas de partículas finas em suspensão na atmosfera.
Durante a madrugada, um dos pontos de monitoramento registrou 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino, conhecido como PM2,5. O índice representa uma condição de poluição severa e ultrapassa amplamente os limites considerados seguros para a saúde.
Essas partículas são especialmente preocupantes porque, devido ao tamanho reduzido, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório, agravando problemas pulmonares e cardiovasculares.
A fumaça também compromete a visibilidade e interfere na rotina da população, sobretudo de quem precisa trabalhar ou se deslocar em áreas abertas.
Queimadas e incêndio agravam situação
A deterioração da qualidade do ar ocorre em meio aos registros de queimadas no interior do Amazonas e a um incêndio de grandes proporções em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, zona Leste de Manaus.
O incêndio, que já se prolonga por três dias, mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. A combustão de materiais acumulados e a dificuldade de controlar o fogo contribuem para a emissão de fumaça.

Na noite de quarta-feira (7), a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de partículas finas na cidade havia alcançado 114,6 µg/m³, patamar classificado como muito ruim.
Segundo o município, parte da fumaça que chega à capital tem origem em queimadas registradas em municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados pela prefeitura, apontaram 749 focos de calor no Amazonas na quarta-feira, dos quais dois estavam localizados em Manaus.
Saúde da população exige cuidados
Com a exposição à fumaça, aumentam os riscos de irritação nos olhos, tosse, dor de garganta, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias, como asma e bronquite.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Entre as orientações estão evitar exercícios físicos ao ar livre, manter a hidratação e reduzir a exposição prolongada à fumaça. Quando for necessário sair de casa, máscaras de proteção respiratória, como PFF2 ou N95, podem ajudar a diminuir a inalação de partículas.
Pessoas com sintomas persistentes devem procurar atendimento de saúde. Em casos de dificuldade respiratória intensa, a recomendação é buscar atendimento de urgência.
A suspensão das atividades em instituições federais de ensino mostra que os efeitos da poluição ultrapassaram o desconforto provocado pela fumaça e passaram a comprometer o funcionamento de serviços e a rotina de milhares de pessoas.
Enquanto a fumaça permanecer sobre Manaus, a evolução dos indicadores de qualidade do ar continuará sendo determinante para novas medidas de proteção à população.


