TRE-AM encerra primeiro turno com apenas 20 urnas substituídas
Balanço aponta abstenção em torno de 20%, transmissão por satélite em áreas rurais e operação de segurança que apreendeu cerca de R$ 1,9 milhão
De 8.157 seções eleitorais instaladas no Amazonas para o primeiro turno das Eleições 2026, apenas 20 precisaram trocar a urna eletrônica ao longo deste domingo (4). O número representa uma parcela reduzida dos equipamentos em funcionamento no estado e aparece entre os principais dados do balanço apresentado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) após o encerramento da votação.
Ao todo, foram registradas 36 ocorrências envolvendo urnas. Além das 20 substituições — seis em Manaus e 14 no interior — outras 16 intercorrências foram resolvidas no próprio local de votação, sem necessidade de troca do equipamento. Entre os procedimentos adotados esteve a reinicialização das máquinas.
O balanço foi apresentado em coletiva conduzida pela presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis, ao lado de representantes da Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral, forças de segurança e Forças Armadas.
Segundo a presidente, a atuação conjunta das instituições foi determinante para a condução do processo eleitoral em um estado marcado por grandes distâncias, dificuldades de acesso e localidades onde o deslocamento depende de rios ou aeronaves.
“O balanço das ocorrências demonstra o compromisso do TRE-AM com a transparência, a segurança e a garantia do exercício pleno da cidadania a todos os eleitores amazonenses”, afirmou Carla Reis.

Satélite ajuda a vencer distâncias
No Amazonas, realizar uma eleição significa também enfrentar uma operação logística que vai muito além da instalação das urnas.
Dos 700 locais de votação situados em áreas rurais, 350 transmitiram os boletins de urna diretamente por satélite. Nos demais, as mídias contendo os resultados precisaram seguir por transporte terrestre ou fluvial até pontos onde fosse possível realizar a transmissão.
A previsão do TRE-AM era de que esse deslocamento levasse até duas horas depois do encerramento da votação em algumas localidades.
A estrutura começou a ser movimentada bem antes do domingo eleitoral. Desde agosto, mais de 54 toneladas de equipamentos foram transportadas por terra, rios e pelo ar. Com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), foram realizadas mais de 50 horas de voo em seis rotas para atender 47 comunidades, segundo o Tribunal.
A eleição também alcançou 116 locais de votação instalados em áreas indígenas, reunindo 65.587 eleitores distribuídos em 244 seções.
Abstenção fica em torno de 20%
Outro número destacado no balanço foi o da ausência de eleitores. Segundo o TRE-AM, a abstenção ficou em torno de 20% no Amazonas neste primeiro turno.
O Tribunal também observou aumento da presença de eleitores idosos. Entre as razões apontadas está a possibilidade de o comprovante de votação ser utilizado na validação da prova de vida junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em algumas seções, a maior movimentação de eleitores, somada ao número de cargos em disputa e ao tempo necessário para digitação dos votos, provocou filas. De acordo com o TRE-AM, as situações foram pontuais e não comprometeram o andamento geral da votação.

PF registra prisões e apreende R$ 1,9 milhão
A segurança eleitoral reuniu órgãos estaduais e federais, além das Forças Armadas.
A Polícia Federal contabilizou 24 ocorrências relacionadas às eleições durante a última semana. As ações resultaram em seis prisões e na apreensão de aproximadamente R$ 1,9 milhão. Os registros incluem investigações relacionadas a suspeitas de compra de votos, boca de urna e corrupção eleitoral.
Manaus concentrou 16 ocorrências acompanhadas pela PF, com 18 pessoas conduzidas e cinco prisões. Também houve registros em Iranduba, Tefé, Manacapuru, Coari, Parintins, São Gabriel da Cachoeira e Itacoatiara.
Em Coari, por exemplo, uma ocorrência relacionada à suspeita de compra de votos levou à apreensão de R$ 690 em espécie e material de propaganda eleitoral. O caso não resultou em prisão.
Já a Polícia Civil informou não ter registrado procedimentos ou Termos Circunstanciados de Ocorrência relacionados diretamente ao pleito em Manaus. No interior, foram contabilizados 17 procedimentos considerados relevantes.
Mais de 6 mil militares mobilizados
A dimensão territorial do Amazonas também exigiu uma grande estrutura das Forças Armadas.
O Comando Conjunto mobilizou 6.102 militares em 69 municípios da região amazônica, dos quais 44 estavam no Amazonas. No estado, foram utilizados 182 veículos, 142 embarcações e 15 aeronaves para garantir segurança e apoio logístico a 774 locais de votação.
A operação ocorreu em paralelo à estrutura montada pelos órgãos estaduais de segurança. Na abertura do pleito, a Secretaria de Estado de Segurança Pública havia informado que mais de 15 mil integrantes das forças estaduais estavam envolvidos na operação, com mais de 3,9 mil agentes atuando diretamente na Operação Eleição 2026.
Fiscalização continua após a votação
O encerramento das urnas não significa o fim do trabalho de fiscalização.
O Ministério Público Eleitoral informou que continuará analisando ocorrências, especialmente aquelas relacionadas ao derramamento irregular de material de propaganda nas proximidades dos locais de votação, os chamados “santinhos”.
Segundo o procurador regional eleitoral Edmilson Barreiros, houve redução desse tipo de irregularidade em colégios eleitorais importantes, incluindo Parintins.
Relatórios de fiscalização de Manaus, Tefé e Manacapuru já haviam sido recebidos pelo Ministério Público e os casos serão analisados individualmente. Eventuais responsabilizações poderão ocorrer tanto na esfera criminal quanto na cível-eleitoral.
Ao fim de um domingo que mobilizou milhares de servidores, agentes de segurança e militares, o primeiro turno terminou no Amazonas com número reduzido de substituições de urnas, uma complexa operação logística concluída e a fiscalização eleitoral ainda avançando sobre as ocorrências registradas durante o processo.


