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Manaus amplia limpeza, mas descarte irregular ainda desafia cidade

Capital tem 1,5 mil garis e coleta frequente, mas prefeitura cobra participação da população no cuidado com a cidade

O trabalho diário de 1,5 mil garis mantém uma ampla operação de limpeza funcionando em Manaus, mas o descarte irregular de resíduos continua impondo um desafio à conservação dos espaços públicos. A situação levou o prefeito Renato Junior a reforçar, nesta semana, que a manutenção de uma cidade limpa depende tanto da atuação do poder público quanto da participação da população.

O alerta ganhou força após um episódio registrado na avenida Laguna, no bairro Planalto. Um dia depois de uma grande equipe da limpeza urbana atuar no canteiro central da via, novos resíduos já haviam sido descartados no local.

Ao passar pela área, Renato Junior chamou atenção para o contraste entre o serviço recém-executado e o novo acúmulo de lixo.

“Ontem os nossos garis estavam aqui limpando tudo. Olha o que eles já fizeram aqui. Está tudo limpinho, quadrado, arrumadinho. A gente precisa também da conscientização. Tem, lamentavelmente, uma parcela pequena da população que não entendeu que Manaus precisa ser cuidada também pela população”, afirmou.

Operação diária

Manaus conta atualmente com 1,5 mil garis, depois da incorporação de aproximadamente 500 trabalhadores ao efetivo. As equipes atuam em serviços como varrição, coleta de resíduos, poda, limpeza de áreas públicas e manutenção de espaços urbanos em diferentes horários, inclusive durante a noite e a madrugada.

Segundo o prefeito, a região central da capital, por exemplo, recebe equipes em diferentes turnos.

“Hoje, nós estamos com 1.500 garis, aumentei o efetivo em 500 homens e mulheres. Manaus tem coleta todos os dias, em todas as casas. No Centro de Manaus, a partir das 7h, 8h da noite até 2h da manhã, nós temos uma equipe grande de garis limpando todo o Centro. De manhã, começa novamente”, destacou.

A estrutura de coleta domiciliar opera com 140 rotas, distribuídas em cinco turnos, de segunda-feira a sábado, com funcionamento ao longo das 24 horas. Em grande parte da área urbana, o serviço pode chegar a seis passagens por semana.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), Manaus apresenta uma das maiores frequências de coleta entre capitais brasileiras que não cobram taxa específica pelo serviço.

Mais estrutura

A ampliação do efetivo veio acompanhada do reforço da frota. Nove novos caminhões foram incorporados ao sistema, elevando para mais de 90 o número de veículos utilizados nas operações de limpeza urbana.

A prefeitura também passou a utilizar equipamentos voltados ao aumento da produtividade. Na pintura de meios-fios, por exemplo, máquinas de aspersão reduziram de vários dias para aproximadamente um dia o tempo necessário para determinados trechos.

Equipamentos mecanizados também passaram a ser utilizados na manutenção de áreas verdes. Segundo a prefeitura, algumas máquinas conseguem executar tarefas equivalentes ao trabalho simultâneo de vários trabalhadores.

A proposta é usar a tecnologia nas áreas onde ela pode substituir tarefas repetitivas e direcionar os garis para pontos que dependem necessariamente de trabalho manual, como igarapés e regiões de acesso mais difícil.

Responsabilidade coletiva

Apesar do aumento da estrutura, a prefeitura avalia que nenhuma operação de limpeza é capaz de manter a cidade organizada sem uma mudança de comportamento em relação ao descarte de resíduos.

Quando jogado irregularmente em ruas, canteiros, calçadas ou terrenos, o lixo pode ser carregado pela chuva para bueiros e igarapés, contribuindo para obstruções na drenagem, alagamentos e impactos ambientais.

Por isso, além da operação de limpeza, o município mantém 65 profissionais voltados às ações de educação ambiental, com atividades em comunidades e escolas.

A estratégia também busca trabalhar a conscientização desde a infância, numa tentativa de criar uma relação diferente entre moradores e os espaços públicos.

“Os garis são gente que trabalha, limpam todo dia o lixo que não foi eles que jogaram. Por isso que nós criamos o Manaus que a Gente Cuida. A prefeitura faz a sua parte, mas a população precisa fazer a sua. Manaus é a nossa casa”, afirmou Renato Junior.

O episódio da avenida Laguna sintetiza um problema recorrente da limpeza urbana: muitas vezes, a mesma área precisa receber novas equipes pouco tempo depois de ter sido limpa.

Num cenário em que o município amplia trabalhadores, frota e tecnologia, o desafio deixa de ser apenas retirar o lixo das ruas. Passa também por impedir que ele volte para os mesmos lugares.

Fotos – Divulgação / Semcom 

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