Varejo farmacêutico avança no Norte e Grupo Tapajós projeta faturamento maior em 2026
Convenção em Manaus revela expansão acima da média nacional e aposta em capilaridade e parcerias para sustentar crescimento
O mercado farmacêutico no Norte do país vive um ciclo de expansão acima da média nacional — e os números apresentados na Convenção Tapajós, realizada nesta quinta-feira (9), em Manaus, ajudam a dimensionar esse movimento. Com crescimento de 18,6% em 2025 e faturamento de R$ 1 bilhão, o Grupo Tapajós projeta alcançar R$ 1,15 bilhão em 2026, mantendo um ritmo superior ao restante do país.
O desempenho acompanha a tendência regional. Enquanto o setor avançou 10,2% no Brasil em 2025, a região Norte registrou alta de 14%, impulsionada por fatores como envelhecimento populacional, aumento da renda em algumas faixas e maior acesso a medicamentos.
A expansão do consumo farmacêutico na região já começa a reposicionar o Norte no radar das grandes redes e indústrias. Historicamente marcado por desafios logísticos e menor densidade de serviços, o mercado local agora apresenta sinais mais consistentes de maturação.
Nesse contexto, empresas com forte presença territorial saem na frente. O Grupo Tapajós, que opera principalmente com a bandeira Santo Remédio, aposta justamente na proximidade com o consumidor como diferencial competitivo.
Com quase 100 lojas em Manaus, a rede construiu uma capilaridade difícil de replicar por concorrentes nacionais. Em uma região onde deslocamento ainda é um fator crítico, estar perto do cliente se traduz diretamente em desempenho.

Lojas reformadas e marcas próprias puxam resultado
Um dos motores do crescimento tem sido a estratégia de modernização das unidades. O chamado retrofit das lojas não envolve apenas reforma física, mas também revisão de mix de produtos e ampliação de serviços.
Segundo o CEO Wili Garcez, unidades reinauguradas chegam a crescer até o dobro da média da rede, indicando que há espaço para ganho de eficiência mesmo em mercados já consolidados.
Outro vetor relevante é o avanço das marcas próprias, tendência observada em todo o varejo brasileiro. Com maior margem e apelo competitivo, esses produtos devem ganhar ainda mais espaço: a meta é chegar a 170 SKUs até 2026.
Indústria reforça presença e busca leitura regional
O crescimento do varejo no Norte também tem atraído maior atenção da indústria farmacêutica, que vê na região uma oportunidade de expansão. A presença de executivos no evento, como o CEO da Cimed, João Adibe Marques, reforça esse movimento.
Para a indústria, entender o comportamento de consumo local é um diferencial competitivo. Regiões como a Amazônia apresentam dinâmicas próprias, que vão desde logística até perfil de demanda.
Nesse cenário, a aproximação com redes regionais se torna estratégica. Parcerias comerciais deixam de ser apenas distribuição e passam a envolver inteligência de mercado e adaptação de portfólio.
Demanda por saúde sustenta crescimento do setor
O avanço do setor farmacêutico não é um fenômeno isolado. Ele acompanha transformações estruturais, como o envelhecimento da população e a ampliação da busca por cuidados preventivos e serviços de saúde.
Além disso, a consolidação dos medicamentos genéricos nas últimas décadas ampliou o acesso e ajudou a sustentar o crescimento do mercado, especialmente em regiões onde o custo ainda é um fator determinante.
Um mercado em consolidação na Amazônia
Com mais de 2.200 colaboradores e presença em estados como Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia, o Grupo Tapajós se posiciona como um dos principais players regionais em um mercado que ainda tem espaço para expansão.
A combinação entre presença territorial, adaptação ao contexto local e integração com a indústria indica um modelo que pode ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, à medida que o Norte se consolida como uma fronteira de crescimento no varejo farmacêutico brasileiro.


