Grupo Jurubebas leva mitologia amazônica a São Paulo e abre temporada nacional em 2026
Espetáculo “A Ilha Profana do Cantagalo” representa o Amazonas na 8ª Mostra A_ponte, do Itaú Cultural
A Amazônia sobe ao palco paulista para abrir, com força simbólica e ancestral, a temporada 2026 do Grupo Jurubebas de Teatro. A companhia participa, pela primeira vez, da 8ª Mostra A_ponte – Cena do Teatro Universitário, realizada pelo Itaú Cultural, em São Paulo, levando ao público o espetáculo A Ilha Profana do Cantagalo, obra que mergulha nos mitos, lendas e musicalidades da floresta.
A mostra tem como proposta renovar a cena teatral brasileira, reduzir fronteiras regionais e promover o encontro entre estudantes, artistas e produções que representam a diversidade cultural do país. Nesse contexto, o Jurubebas leva à capital paulista uma narrativa profundamente enraizada na tradição oral amazônica, mas construída com linguagem contemporânea.

Encantaria, infância e travessia
“A Ilha Profana do Cantagalo” narra a história de uma criança que se transforma em um encantado após descobrir que a avó é uma rasga mortalha, figura mítica do folclore amazônico associada à morte e aos presságios. A partir dessa revelação, o menino inicia uma busca pelos pais desaparecidos, que podem estar presos em uma ilha encantada no fundo do rio Madeira.
A dramaturgia cruza infância, espiritualidade e encantaria amazônica, conduzindo o espectador por um território onde o visível e o invisível coexistem. O rio, elemento central da vida amazônica, aparece não apenas como paisagem, mas como passagem, memória e destino.
Gambá, território e pesquisa de campo
Contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2023–2024, o espetáculo nasceu de uma pesquisa realizada em Borba, na comunidade ribeirinha do Acará, onde o grupo investigou o ritmo do Gambá, manifestação musical tradicional da região.

A partir da escuta das narrativas locais, dos contos e das lendas transmitidas oralmente, o Jurubebas construiu uma obra que articula música, corpo e dramaturgia, utilizando o Gambá como matriz estética e narrativa. O resultado é um espetáculo que transforma memória coletiva em linguagem cênica.
O trabalho rendeu ao grupo duas indicações ao Prêmio Cenym de Teatro Nacional 2025, nas categorias Melhor Grupo de Teatro e Melhor Direção de Movimento, para Talita Menezes.
Circulação nacional e afirmação amazônica
Após seis meses de estreia, “A Ilha Profana do Cantagalo” já integrou festivais em São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Agora, inicia um novo ciclo de circulação nacional, levando aos palcos brasileiros os mistérios, a ancestralidade e os imaginários dos encantados amazônicos.

“Teremos muitas programações em 2026 em cidades do interior do Amazonas e em festivais pelo Brasil, sempre valorizando nossa conexão com as comunidades locais e a difusão de obras que evidenciam o contexto amazônico. ‘A Ilha Profana’ inicia o circuito nacional em um evento de grande relevância para o teatro brasileiro, fortalecendo intercâmbios e reafirmando a pluralidade da produção cultural do Norte”, afirma o diretor Felipe Maya Jatobá.
Circulação regional e formação de público
Além da agenda nacional, o Jurubebas mantém o compromisso com o território amazônico. Em 2026, os espetáculos “Tucumã & Buriti” e “Desassossego”, contemplados pela Lei Aldir Blanc – 1º Ciclo, iniciarão circulação por cidades da região metropolitana de Manaus, ampliando o acesso ao teatro e fortalecendo o diálogo com comunidades locais.
A companhia também desenvolve ações formativas por meio dos projetos “Jovens Produtores” e “Projeto Watsu”, voltados a comunidades periféricas da capital amazonense.
Trajetória de reconhecimento nacional
Com nove anos de atuação, o Grupo Jurubebas consolidou-se como uma das companhias mais expressivas do Norte do Brasil. Vencedor do Prêmio Cenym 2023 na categoria Melhor Grupo de Teatro do Brasil, o coletivo já circulou por todas as regiões do país, passando por mais de 30 cidades nos últimos quatro anos.
No último Festival de Teatro da Amazônia, o grupo recebeu oito indicações e conquistou cinco prêmios com o espetáculo “Tucumã & Buriti – As Brocadas do Tarumã-açu”, reafirmando sua potência artística e compromisso com narrativas amazônicas contemporâneas.
Ficha técnica – A Ilha Profana do Cantagalo
Direção geral e dramaturgia: Felipe Maya Jatobá
Direção de movimento: Talita Menezes
Figurinos e adereços: Aldeir Farias e Henrique Dias
Direção de elenco: Jean Palladino
Trilha sonora: Otávio Di Borba
Elenco: Robert Moura, Leandro Paz, Paulo Oliveira e Nicka
Fotografias: Tabata Barbosa
Oficinas artísticas: Thaís Kokama, Mara Pacheco e Otávio Di Borba
Mestre gambazeiro: Antônio Miguel
Produção executiva: Robert Moura e Felipe Maya Jatobá
📸 Fotos: Tabata Barbosa


