Combate diário às lixeiras viciadas expõe dimensão do descarte irregular em Manaus
Força-tarefa permanente da Semulsp recolhe 500 toneladas de lixo em três dias e reforça debate sobre corresponsabilidade urbana
O combate ao descarte irregular de lixo em Manaus deixou de ser uma ação pontual para se consolidar como um trabalho diário, permanente e estruturante da política de limpeza urbana da capital. A atuação contínua da força-tarefa da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) revela não apenas o esforço operacional do poder público, mas também a dimensão de um problema urbano que se retroalimenta da reincidência do descarte ilegal.
Entre a segunda-feira (26) e esta quinta-feira (29), cerca de 500 toneladas de resíduos foram removidas de áreas usadas irregularmente como lixeiras viciadas. O volume recolhido em apenas três dias evidencia a pressão constante sobre o sistema de limpeza urbana e a necessidade de respostas permanentes. As zonas Norte e Leste concentram o maior número de ocorrências, reflexo da alta densidade urbana e do uso indevido de espaços públicos para o descarte de lixo.

Atuação territorial e reincidência do problema
Nesta quinta-feira (29/1), as equipes da força-tarefa estiveram mobilizadas em diferentes pontos da cidade. Na Alameda Alphaville, no bairro Novo Aleixo, foram necessárias aproximadamente oito horas ininterruptas de trabalho para a limpeza completa da área. A operação também alcançou a avenida 7 de Maio, no Santa Etelvina; a rua Araújo Lima, no Amazonino Mendes; a alameda Cosme Ferreira, no Zumbi dos Palmares; a rua Amazonas, no Ouro Verde; o igarapé do 40; a avenida Flamboyant, no Distrito Industrial II; além de pontos nos bairros Carvalho Leal, Castelo Branco, Leopoldo Peres e na avenida Presidente Kennedy.
A repetição dessas ações em locais já atendidos revela um padrão: a limpeza, por si só, não encerra o problema. Ela representa uma etapa de um ciclo que exige manutenção contínua, fiscalização e, sobretudo, mudança de comportamento por parte da população.
Serviços disponíveis e narrativa em disputa
Dados operacionais da Semulsp mostram que a existência de lixeiras viciadas não está associada à ausência de serviço público. Manaus conta com coleta domiciliar diária em todos os bairros, além de serviços específicos voltados ao descarte correto de resíduos que não devem ser colocados na coleta convencional.

Entre eles está a Coleta Agendada de Grandes Objetos, destinada ao recolhimento de móveis, eletrodomésticos e materiais volumosos — itens que frequentemente alimentam pontos de descarte irregular. O serviço é gratuito e pode ser solicitado por mensagem de WhatsApp, pelos números (92) 98415-9563 e (92) 99459-5956.
Nesse contexto, o avanço do debate público passa também por uma disputa de narrativa. Embora denúncias de lixeiras viciadas cheguem diariamente aos veículos de comunicação, os números indicam que o desafio central está menos na oferta de serviços e mais na corresponsabilidade urbana.
Limpeza urbana como política permanente
A Semulsp reforça que a limpeza urbana em Manaus é um serviço permanente, executado diariamente, inclusive em áreas onde o lixo reaparece poucas horas após a remoção. O enfrentamento às lixeiras viciadas, portanto, envolve não apenas logística e força operacional, mas uma estratégia contínua de gestão urbana.
Ao tornar visível o volume de resíduos recolhidos e a frequência das ações, a política de limpeza urbana expõe um dilema estrutural das grandes cidades amazônicas: sem adesão da população ao descarte correto, o custo ambiental, financeiro e social do lixo tende a se reproduzir no mesmo ritmo da cidade.


