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“O Agente Secreto” faz história com quatro indicações ao Oscar e iguala recorde de “Cidade de Deus”

Filme de Kleber Mendonça Filho concorre a Melhor Filme, Filme Internacional, Ator e Direção de Elenco

O cinema brasileiro voltou a ocupar o centro do palco mundial. O Agente Secreto, novo filme do diretor Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, feito que o coloca no mesmo patamar histórico de Cidade de Deus, até então o longa nacional com maior número de nomeações na principal premiação do cinema.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22/1) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Los Angeles. A cerimônia de entrega das estatuetas está marcada para o dia 15 de março de 2026, nos Estados Unidos, e já desponta como um dos eventos mais aguardados do calendário cultural global.

Quatro indicações e um novo marco artístico

Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, O Agente Secreto concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator – Wagner Moura e Direção de Elenco (categoria recém-criada pela Academia).

A presença em quatro categorias confirma não apenas o alcance artístico da obra, mas também sua forte aceitação crítica em um cenário altamente competitivo, com produções de diferentes continentes disputando espaço na principal vitrine do cinema mundial.

O feito reposiciona o Brasil no mapa das grandes premiações internacionais, consolidando uma retomada consistente do audiovisual nacional.

Da ditadura ao reconhecimento global

Ambientado em Recife, em 1977, durante o período mais duro da ditadura militar, o longa mistura elementos de thriller político com estética neo-noir, acompanhando um homem comum que se vê envolvido em uma trama de perseguições, segredos e conflitos morais.

A narrativa aposta em tensão psicológica, silêncio e sutileza para retratar os mecanismos de repressão do regime, construindo uma atmosfera densa que dialoga com o passado sem recorrer a caricaturas.

Trajetória internacional premiada

Desde sua estreia, O Agente Secreto vem acumulando reconhecimento nos principais festivais internacionais. No Festival de Cannes 2025, o longa conquistou os prêmios de Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho, e Melhor Ator, para Wagner Moura, além de receber importantes distinções da crítica especializada e da Associação Francesa de Cinemas de Arte. Já na temporada 2025/2026, o filme também figurou entre os destaques do Globo de Ouro, somando múltiplas indicações e consolidando sua presença no circuito mundial de premiações.

Wagner Moura e o peso simbólico da indicação

A indicação de Wagner Moura a Melhor Ator tem um peso simbólico especial. Ele concorre diretamente com estrelas de Hollywood, reforçando a presença de intérpretes brasileiros no mais alto nível da indústria cinematográfica mundial.

A atuação contida, densa e profundamente humana do ator foi amplamente elogiada pela crítica estrangeira, que destacou a complexidade emocional do personagem.

Esse reconhecimento reforça uma tendência recente de maior visibilidade do cinema brasileiro no exterior — movimento iniciado com Cidade de Deus e aprofundado por produções como Ainda Estou Aqui e agora com O Agente Secreto.

Cultura, história e cinema que atravessam fronteiras

Para além dos troféus, as quatro indicações destacam a força do cinema brasileiro em contar histórias que dialogam com memória, política e identidade coletiva, ressignificando narrativas nacionais em um palco global.

A cerimônia de 15 de março não será apenas uma noite de premiação. Será também um termômetro do lugar que o Brasil volta a ocupar na indústria cultural mundial — com obras autorais, potentes e politicamente relevantes.

Mais do que disputar estatuetas, O Agente Secreto já entrou para a história do cinema nacional.

Fotos: Divulgação

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