Pesquisa aponta que 82% da população é favorável à demarcação das terras indígenas

Aplicada pelo Datafolha, a pesquisa escutou 2.100 pessoas com 16 anos ou mais, em cerca de 130 municípios

Cerca de 82% da população é favorável à demarcação de terras indígenas, indica pesquisa “Violência e Democracia: panorama brasileiro pré-eleições 2022”, realizada pela Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A pesquisa foi aplicada pelo Datafolha e escutou 2.100 pessoas com 16 anos ou mais, em cerca de 130 municípios de pequeno, médio e grande porte, entre os dias 3 e 13 de agosto de 2022. A margem de erro da pesquisa é de 2,0 pontos para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.

Os números apresentam uma conscientização maior da que foi expressada nas urnas nas últimas eleições presidenciais, informam os coordenadores do trabalho.

A pesquisa foi aplicada pelo Datafolha e escutou 2.100 pessoas com 16 anos ou mais, em cerca de 130 municípios de pequeno, médio e grande porte, entre os dias 3 e 13 de agosto de 2022. A margem de erro da pesquisa é de 2,0 pontos para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.

Quando candidato em abril de 2017, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), fez um discurso revelando sua visão de política ambiental contrária às demarcações de terras ocupadas por povos tradicionais e originários.

Foi no clube Hebraica, no Rio de Janeiro, que o então candidato Bolsonaro apontou para um mapa e afirmou, para uma sala lotada, que se eleito destinaria as áreas indígenas para exploração das riquezas que estavam no subsolo. “Essas são as reservas indígenas do Brasil. Onde tem uma reserva indígena, tem uma riqueza debaixo dela. Temos que mudar isso daí”, proferiu ao reclamar do que chamou de falta de autonomia e de entrega do território brasileiro.

Naquela ocasião, chegou a proferir frases de cunho racista. “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”, disse.

Bolsonaro foi formalmente acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de racismo por essa fala e posteriormente absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, do Rio de Janeiro, que encerrou em 2019, o processo de dano moral contra o já presidente Jair Bolsonaro.

Mas cinco anos depois, o estudo de 2022 aponta que os eleitores não concordam mais com esta visão do presidente. Segundo a pesquisa, 83,4% reconhecem que existe racismo no Brasil, enquanto em 2017, na versão anterior do levantamento, apenas 70% consideravam que a cor da pele, e não apenas a classe social, era um fator de desigualdade e violência.

A pesquisa liderada pela RAPS e FBSP mostra a mudança na percepção da existência do racismo indica o aumento da clareza por parte da população sobre um marcador que é pungente na violência e desigualdade brasileira.

O levantamento mostrou ainda que outro fator de sensibilização é aumento dos índices de desastres ambientais relacionados às mudanças climáticas, o que aproxima a pauta ambiental do cotidiano das pessoas em diferentes regiões do país.

Além disso, o índice de medo da violência em 2022 mostrou-se maior do que no levantamento realizado em 2017, mesmo que segundo as estatísticas oficiais o número de mortes violentas intencionadas tenha decrescido no período.

Os dados indicam, quando observada a relação entre medo e autoritarismo, que aqueles que estão propensos a apoiar posições autoritárias são também os que afirmam sentir muito medo. Dentre os entrevistados, 67,5% afirmam ter medo de serem agredidos fisicamente em razão de sua escolha política ou partidária.

No item relacionado à agenda de direitos, os entrevistados manifestaram baixa adesão às pautas conservadoras diretamente defendidas pelo bolsonarismo, ou seja, 67,6% dos entrevistados acham que a adoção de cotas tem impacto na redução da desigualdade entre pessoas negras e brancas e 66,4% discordam da suposta segurança trazida pelo armamento da população civil.

Entre as pessoas ouvidas, um alto percentual de “concorda totalmente” com a assistência pública às pessoas que estão passando fome (35,1%); com os programas de transferência de renda para os mais pobres (31,3%); com a demarcação de terras indígenas (26,8%), com a paridade de gênero no Poder Legislativo (25%) com a capacidade de criação de filhos por casais homossexuais (24,4%). Já 35,8% discordaram totalmente da afirmação “Não há racismo no Brasil”.

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