Febraban estuda cotar empréstimos para frigoríficos ligados ao desmatamento e trabalho escravo

Os cinco maiores bancos do país e os dois principais credores do setor da carne emprestaram quase US$ 2 bilhões desde 2017 para empresas desse segmento no Brasil

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) estuda uma proposta para monitoramento de desmatamento e trabalho escravo para concessão de empréstimos de bancos a frigoríficos brasileiros A federação, que representa 119 instituições financeiras (a maioria de um universo de 155 em operação no Brasil), responsáveis pelo controle de 97% do patrimônio líquido dos bancos brasileiros, pode condicionar  empréstimos e financiamentos para empresas que abatem gado ao monitoramento de fornecedores diretos e também de indiretos.

Especialistas alertam que, se uma nova norma da federação for aprovada, frigoríficos brasileiros só conseguirão empréstimos de bancos se provarem que não há desmatamento e nem trabalho escravo ao longo de suas cadeias produtivas.

De acordo com dados da coalizão Florestas e Finanças, os cinco maiores bancos do país e os dois principais credores do setor da carne, Banco do Brasil e Bradesco, juntos emprestaram quase US$ 2 bilhões desde 2017 para empresas desse segmento no Brasil.

Desde 2009, os maiores frigoríficos do país veem aumentar a preocupação dos consumidores, autoridades e investidores com o desmatamento, pois 90% das árvores derrubadas na região amazônica estão relacionadas com o aumento das áreas de pasto.

As medidas são inéditas mesmo para os líderes do setor. “Em um cenário em que o poder público tem sido favorável ao desmatamento, a responsabilidade do setor privado aumenta”, afirma Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, o Imazon.

Para ele, entretanto, o cronograma de implantação das regras poderia ser mais ambicioso, já que a nova norma vetaria financiamento a desmatadores apenas em 2025, tempo longe para um problema que está se agravando no presente.

A Febraban precisa aprovar a minuta logo, para que haja tempo hábil aos bancos adotarem as medidas necessárias para o cumprimento da meta na perspectiva de prazo, no entanto, as discussões ainda estão em fase inicial.

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