Desmatamento da Amazônia em agosto foi o maior em 15 anos, aponta Imazon

Os estados que mais desmataram em agosto foram Pará (647 km²), Amazonas (289 km²) e Acre (173 km²)

Quase 8 mil km² de desmatamento é o volume do acumulado na Amazônia, índice maior nos últimos 15 anos, de acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No total, somente em agosto foram derrubados 1.145 km² de floresta, uma área quatro vezes maior do que a cidade de Belo Horizonte.

O problema é agravado pela degradação florestal causada pela extração de madeira e pelas queimadas, que cresceu 54 vezes na região em relação ao mesmo mês do ano passado, informa o instituto, anotando que a área degradada passou de 18 km² em agosto de 2021 para 976 km² em agosto de 2022, o que equivale a uma alta de 5.322%.

Esses dados, segundo o Imazon, representam a ameaça direta à vida de povos e comunidades tradicionais por causar perdas na biodiversidade, afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global em um momento de emergência climática.

A pesquisadora Bianca Santos, do Imazon, lembra que já passamos da metade do ano e o que vem acontecendo são recorrentes recordes negativos de devastação da Amazônia, com o aumento no desmatamento e na degradação florestal. “E infelizmente temos visto ações insuficientes para combater esse problema”, lamenta.

A pesquisadora classifica como desmatamento quando a vegetação foi totalmente removida, o chamado “corte raso”, e como degradação florestal quando parte da mata foi retirada por causa da extração de madeira ou afetada pelo fogo. Por isso, é comum que uma área classificada como degradada seja posteriormente desmatada.

Os estados que mais desmataram em agosto foram Pará (647 km²), Amazonas (289 km²) e Acre (173 km²), que registraram respectivamente 46%, 20% e 12% de toda a derrubada na Amazônia.

Já o estado que teve a maior área de floresta degradada em agosto foi Mato Grosso (657 km²), o que representa 67% do registrado em toda a Amazônia. Pará (240 km²) e Acre (28 km²) ficaram em segundo e em terceiro, com respectivamente 25% e 3% das áreas degradadas na região.

De acordo com ela, existem muitos casos de áreas que sofrem degradação florestal por exploração madeireira e após a retirada total das espécies de valor comercial, é feita a remoção completa das árvores para destinar aquela área a outros tipos de uso, como por exemplo a agropecuária ou até para a especulação imobiliária, no caso da grilagem.

Por isso, é importante monitorar também a degradação, e não apenas o desmatamento, é muito importante para a Amazônia. “Se os órgãos ambientais agirem para proteger as áreas degradadas recentemente, podem evitar que elas sejam desmatadas nos meses seguintes”, completa a pesquisadora.
Com informações do Imazon

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