O DOURO É “UM POEMA GEOLÓGICO”, A BELEZA ABSOLUTA!

Foi assim que o grande poeta e escritor duriense Miguel Torga se referiu à sua região natal (nasceu em São Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real). Pode dizer-se que o Douro é um conjunto de telas, que variam de cor consoante a estação do ano, pintada pelas folhas e flores das diversas plantações.

Criada em 1756 por iniciativa do governo do Marquês de Pombal, como a primeira região demarcada e regulada no mundo, o Alto Douro Vinhateiro, é um exemplo excepcional de uma região tradicional que vive em torno da produção vinícola, seja do afamado vinho do Porto, seja dos mais recentes vinhos de mesa de grande qualidade. Todos esses vinhos provêm dos socalcos que rodeiam o rio Douro e os seus afluentes, onde muros de xisto suportam alas de videiras carregadas com cachos de uva branca ou tinta. Não só a paisagem foi alterada pela produção do vinho, mas também o ritmo da vida dos durienses. Se o inverno é marcado pela calma e pelo sossego, a transição do verão para o outono traz a azáfama das vindimas, com um descer e subir de cestos e tesouras de poda, nas encostas povoadas por trabalhadores. Reconhecendo a importância da paisagem e das atividades tradicionais de produção de vinho, em 2001, a UNESCO classificou como Património Mundial 24 600 hectares do Alto Douro Vinhateiro, repartidos por 13 concelhos.

A Região do Douro, tem solo pobre e mesmo assim tornou-se produtiva e famosa graças as plantações das vinhas que geram as castas para a elaboração de renomados Sucos da Bíblia portugueses. A região famosa é entrecortada pelas águas do Rio Douro, e, ao contempla-lo na primeira vez, encantado fiquei, ninguém escapa. Meu olhar achou no horizonte as propaladas curvas que o caracterizam, e ao mesmo tempo dei asas à minha imaginação me transportando pela “memory lane” para os tempos áureos e cheios de gloria em que o papel de importância desse curso d’água para o desenvolvimento regional, quando Portugal mantinha além-mar as suas colônias, dentre elas o Brasil, era, e continua sendo, fundamental. Interessante é que a olho nu, o Rio Douro se diferencia muito pouco de outros rios que já contemplei durante as minhas andanças longe daqui. Esse rio é mais um dos famosos cursos d’água do mundo, como o Amazonas, Nilo, Hudson, Mississippi, Ganges e Danúbio, dentre outros que tive o privilégio de conhecer.

Duero na Espanha e Douro em Portugal, são dois nomes para um único rio que banha áreas pontilhadas por milhares de vinhedos que encantam e fulminam de beleza o olhar do contemplador. Nasce Duero, na província de Sória, Serra de Urbión na Espanha, a mais de dois mil metros de altitude, percorre pouco mais de 800 quilômetros até chegar na sua foz, no norte de Portugal na lindíssima cidade de Vila Nova de Gaia, vizinha a Cidade do Porto, a segunda cidade mais importante de Portugal. O Vale do Rio Douro, que se localiza a pouco mais de 100 quilômetros da Cidade do Porto, é considerado, a mais linda região vitivinícola do mundo. Fazer o passeio de barco entre Peso da Régua, passando pelo Pinhão e chegando a Barragem, já no Douro Superior, é uma das maiores e mais sensacionais experiências relacionadas à beleza natural aliada à cultura do vinho. As paisagens de encantadora beleza, inebriam o espectador. Quem já fez esse passeio turístico, sabe que não estou exagerando. Ressalto que foi depois que os viticultores portugueses na Região do Douro (em outras também) resolveram se dedicar com mais ênfase aos vinhos de mesa, não fortificados, os resultados têm sido fabulosos. Estão aí no mercado para quem quiser provar. Existe quem diga que os vinhos finos do Douro são para degustar ajoelhado. Em Portugal, hoje em dia, vinhos espetaculares são lançados ano após ano. O fator que mais contribui para diferenciar os vinhos portugueses reside nas 285 variedades autóctones, notadamente especiais. Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca, Castelão, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Cão, Sousão, Alvarinho, Loureiro, Arinto, Encruzado, se destacam. Se está admirado com essa lista, fique sabendo que é “gitinha”, acredite, ela pode ficar muito maior. A casta indígena Touriga Nacional é a “grande vedete”, pois possui características singulares, principalmente pelos taninos e aromas. Alguns ousados produtores produzem vinhos varietais com essa casta, mas os mais desejados e meus favoritos, são produzidos por vinhas velhas, que geralmente resultam da miscelânea das cepas plantadas no mesmo espaço de terra, muitas delas com mais de cem anos de cultivo. Fiquem sabendo que a grande maioria dos vinhos finos varietais, são geralmente produzidos a partir de vinhas que foram plantadas mais recentemente.  CURIOSIDADE: Os vinhos finos produzidos das castas “portuguesas com certeza”, são chamados de vinho de mesa pela maioria dos apreciadores portugueses.

Dedico esse artigo ao Pedro Lobo, meu amigo e irmão salesiano da vida toda, e o maior amante manauara da Região do Douro que eu conheço.

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